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Regis Jolivet

Fronton de l'Université Catholique de Lyon, rue du Plat
O antigo e o novo convivem no brasão frontal da Universaidade Católica de Lyon, da qual foi decano Regis Jolivet

Régis Jolivet (1891-1966) foi Decano da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Lyon. Por suas obras pouco se sabe de suavida pessoal. Ao mesmo tempo muito se pode encontrar de sua vida intelectual.

Percebemos uma vasta e preciosa obra onde temos uma visão clara do complexo mundo filosófico nas áreas de antropologia, metafísica, ética e lógica. Este Tratado devemos à saudosa Editora Agir.

Jolivet é fiel ao pensamento aristotélico-tomista, com enfoque e críticas pessoais, adotados pelo autor de forma muito eloqüente, mas com simplicidade e sobriedade que impressionam. De modo justo e verdadeiro, sem omitir sua reflexão, coteja outras correntes filosóficas e expõe o conhecimento científico da época. Com isso, temos a facilidade de compreender diferentes escolas e simultaneamente construir uma visão pessoal e global da filosofia.

Ao estudarmos os tratados de Jolivet, poderemos ainda evitar falsos concordismos, vícios e equívocos insanáveis no percurso filosófico, o que nos torna aptos a adentrar seguramente na teologia e combater possíveis heresias e erros de pensamento. Esta dádiva devemos à sua fidelidade à Igreja, ao tratar a filosofia seguindo os passos do Doutor Angélico.

“A doutrina teológica do Aquinate, como apontara Clemente VI, é verdadeira sem contágio algum de falsidade (vera sine contagio falsitatis), é clara sem a tediosa sombra da obscuridade (clara sine taedio obscuritatis) e é frutuosa sem o vício da curiosidade (fructuosa sine vitio curiositatis). É, por fim, “Doutrina Comum da Igreja” (videmus ad sensum quod doctrina istius sancti, quae dicitur ‘Doctrina Communis’ […]”.[1]

“Se alguém atender à malícia dos nossos tempos e pensar na razão das coisas que acontecem pública ou particularmente, concluirá certamente que a causa fecunda dos males, não só daqueles que nos oprimem, mas também daqueles que receamos, consiste nas más opiniões à cerca das coisas divinas e humanas, que, partindo primeiro das escolas dos filósofos, têm invadido todas as ordens da sociedade, acolhidas pelos aplausos de muitos. Porquanto, sendo próprio da natureza humana seguir, na prática, como guia a razão, se a inteligência peca em qualquer coisa, a vontade também cai facilmente. Acontece, então, que a malícia das opiniões, que têm sede na inteligência, influi nas ações humanas e as perverte. Pelo contrário, se for reto o pensar dos homens, e baseado em sólidos e verdadeiros princípios, nesse caso há de produzir muitos benefícios para felicidade social e individual”.[2]

Certa deste princípio acima citado, e ainda que pouco conhecedora do assunto, considero os Tratados de Jolivet importantes para a formação filosófica, mais ainda, para os que almejam seguir a reta doutrina da Igreja Católica, que crê na verdade e sabe que ela liberta o homem de todas as suas peias. Sua metodologia preza a clareza, a verdade, a profundidade, com fidelidade no tratamento rigoroso e filosófico de cada assunto.

“Consistit enim humana salus in veritatis cognitione, ne per diversos errores intellectus obscuretur humanus; in debiti finis intentione, ne indebitos fines sectando, a vera felicitate deficiat; in iustitiae observatione, ne per vitia diversa sordescat.” (Compêndio de Teologia I, 1)[3].

O que mais podemos almejar para o homem cristão na busca amorosa do saber? Bons católicos procuram ser assertivos com as verdades fixas. Bons católicos procuram evitar as falhas da vontade e difundir o bem pelo reto pensar.

Ir. Raquel Mendes Borges, ICJ[4].


[3] Traduzindo: “a salvação humana consiste no conhecimento da verdade, que impede o obscurecimento da inteligência pelo erro; no desejo da devida finalidade do homem, que o impede de seguir os fins indevidos que o afastam da verdadeira felicidade e, finalmente, na observância da justiça, para que ele não se macule por tantos vícios”.

[4] Professora no IFTSC, especialista em Sagrada Escritura pela Faculdade de São Bento, RJ.

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Autor:

Instituto de formação de sacerdotes e religiosos da Província Eclesiástica de Goiânia.

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