Publicado em Educação, Opinião

O Educador numa perspectiva pessoal

O professor, o educador, o mestre, antes de serem tudo isso, são pessoas únicas, individualidades jamais repetidas. São indivíduos que não podem ser definidos ou rotulados, justamente por serem pessoas. Defini-los seria determinar sua delimitação, reduzi-los a algum esquema simbólico que os tornaria pequenos.

O homem se dimensiona na vida, com sua natureza, com sua razão, com suas paixões e sentimentos, com seus valores, com seus direitos e deveres, com sua liberdade e visão de vida e de mundo, seus anseios e angústias, com sua fé e esperança. Enfim, o ser pessoal ultrapassa todos os limites, e, ao explicá-lo, tornamo-lo cada vez mais confuso em sua grandeza de ser e viver. Sem defini-lo, percebemos e sentimos que possui a feliz angústia de querer viver a vida. Esse sentir não é explicado: é vivido.

A pessoa do educador se percebe como alguém diferente, mas não desigual aos outros. Percebe e sente o seu “eu pessoal,” seu ser. Ele é ele e ninguém mais. A sua personalidade é sua marca indelével, portanto, inexplicável, dispensando qualquer tentativa de definições ou conceituações que não passam de vagas deduções.

O educador, que educa para a vida, necessita viver a sua. A sua vida é sua verdade radical. É o seu todo existencial. Poderá haver algo mais sagrado para ele do que sua vida? Haverá normas, diretrizes, leis pedagógicas ou didáticas, por mais sacrossantas e beatificadas que sejam, mais importantes que o seu existir?

O educador é uma vida e não um esqueleto revestido de carne que anda sonâmbulo, pela rua, a caminhar um percurso desconhecido. O educador que não vive sua vida e que não educa para a vida não pode entrar na sala de aula para falar sobre o viver, pois nada sabe sobre ele. Sem vida, é um defunto que esqueceram de levar para a cidade da morte, para onde sozinho não pode ir.

Mas o verdadeiro educador o é porque sua personalidade é exclusivamente vida. Sendo pessoa, se manifesta como uma presença sagrada e plena de vida. É fonte de vida e não buraco de defunto.

Enfim, o verdadeiro educador é um revolucionário, que luta com as armas da sabedoria, da responsabilidade, da liberdade e do comprometimento de pessoa para com a pessoa humana. O educador é a pessoa lúcida e livre que combate duramente e resiste até mesmo a derrotas e fracassos, porque sua preocupação é ser fiel à humanidade da pessoa.

                                        Washington Uberaba[1]


[1] Seminarista da Diocese de São Luis de Montes Belos, no 2º ano de Teologia no IFTSC.

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Publicado em Trindade

Deus é Pai

“Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.
Jesus respondeu: Quem me vê, vê o Pai” (Jo 1,18).

 Desde sempre se comunica conosco. A carta aos Hebreus nos diz que “muitas vezes e de modos diversos” ele tem nos falado. Ele multiplicou as palavras, pois nenhuma das que eram usadas exprimia todo o seu mistério. Mas depois ele falou uma só Palavra e disse tudo: Jesus Cristo é a única Palavra que exprime o mistério de Deus. Ele anuncia seu nome, o de Pai do Filho único. Por ter falado sempre, Deus não era desconhecido em Israel. Porém, Cristo revela algo desconcertante para aquele povo: Deus é Pai. Ele sempre deixou transparecer sua paternidade em Israel e no mundo. Ao enviar seu Filho, Deus confiou a missão aos apóstolos de anunciá-lo às nações. O testemunho apostólico refere-se a Jesus que, por sua vez, revela o Pai. A boa nova anunciada por Jesus consiste em dizer que Deus é Pai e nós podemos nos tornar filhos.

Na literatura cristã, o termo Deus é usado como sinônimo de Pai de Jesus e se refere também à primeira pessoa da Trindade, aquele que gera o Filho no Espírito Santo. Todas as vezes que dizemos que Cristo é Filho de Deus, estamos nos lembrando do Pai, de sua paternidade. Essa paternidade é característica peculiar de Deus, só ele é Pai por excelência. A tradição judaica tem uma grande reverência por Deus, por sua glória, a ponto de considerar uma blasfêmia o fato de Jesus o chamar de Pai. Mas é justamente essa a grande boa nova que Cristo trás, não só chamá-lo de Pai, mas ‘papaizinho’ (Abba Pai) e, ainda, dizer que podemos participar dessa relação filial, íntima e carinhosa. Podemos então dizer que o Deus Pai de Jesus Cristo, o Senhor de Israel, o Deus dos patriarcas, o Deus Criador é também pai dos fiéis, dos que acolhem a boa nova.

O evangelista João categoricamente afirma que “ninguém jamais viu Deus”, não significando que ele é desconhecido. Aliás, Cristo o torna conhecido com nunca antes havia acontecido. O Filho é o revelador do segredo de Deus pelo fato de ser gerado por ele no mundo. É por isso também que o Filho é “cheio de graça e da verdade”, é o dom de Deus, a graça em pessoa. O conhecimento do Pai, adquirido pelo Filho, é inseparável do dom da vida filial concedida por sua mediação. Quando Jesus diz que “manifestou o nome de Deus”, ele não se refere a um termo, mas à sua natureza, ao fato de ele ser Pai, “meu Pai”. Sua relação filial é tão profunda que ao final ele não só falou do Pai, mas o mostrou, quando disse: “quem me vê, vê meu Pai”. Jamais um judeu ousaria dizer e agir ao modo de Jesus. Suas palavras a atitudes suscitavam a curiosidade de saber quem ele é, enquanto Ele, sem receio, afirma ser o Filho de Deus.

Jesus vive por seu Pai que o gera. Ele vive pelo Pai, é chamado Filho de Deus. Assim ele mostra a paternidade essencial de Deus. Todos os homens que são pais são filhos. Deus não. Ele tem paternidade absoluta, é pai por excelência. Homem nenhum merece o título de pai, tal como é designado a Deus, pai de Jesus Cristo, já que em Deus a paternidade se identifica com o seu ser. O homem se torna pai, Deus é Pai. Ele é Pai pelo amor que tem ao Filho, pelo amor que o gera. Em consequência, nenhuma de suas ações está desvinculada de sua paternidade. Todas as suas obras trazem os traços de sua paternidade e, em decorrência disso, da filiação.[1]

Mario Correia[2]


[1] Texto originalmente publicado no blog do autor: < http://mariocsj.blogspot.com.br/2012/02/deus-pai.html&gt;

[2] Seminarista da Diocese de Barreiras, no 3º de Teologia no IFTSC.

Publicado em Autores Renomados, Filosofia, Filosofia Moderna

Filosofia de Francis Bacon

Francis Bacon (1561-1626) nasceu em Londres, Inglaterra. Suas principais obras são o Novum organum (1620), em que critica a concepção dedutiva de ciência derivada do Órganon aristotélico; The Advancemente of Learning (O progresso do saber), de 1605, publicado em 1623 em uma versão ampliada com o título de De augmentis, em que defende a idéia do progresso da ciência e da técnica; e o New Atlantis, publicado em 1627, representando um reino utópico e contendo um modelo de instituição de pesquisa científica, a Casa de Salomão.

A Royal Society o considerou um de seus inspiradores e Immanuel Kant dedicou-lhe a Crítica da Razão Pura (1770).

Dois aspectos importantes da filosofia de Bacon apresentados em Novum organum (1620)[1]:

1)  A sua concepção de pensamento crítico, contido na teoria dos ídolos;

2)  A defesa do procedimento indutivo no conhecimento científico e de um modelo de ciência antiespeculativo e integrado com a técnica.

  • Defesa      do método experimental contra a ciência teórica e especulativa clássica.      Afirma Bacon: “O homem, ministro e intérprete da natureza, faz e entende      tanto quanto constata, pela observação dos fatos ou pelo trabalho da      mente, sobre a ordem da natureza; não sabe nem pode mais” (Novum organum, I).
  • Rejeição      da filosofia escolástica;
  • Incentivo      ao progresso da ciência e da técnica;
  • Pode-se      dizer que a preocupação fundamental de Bacon é com formulação de um método      que evite o erro e coloque o homem no caminho do conhecimento correto.
  • Este      é um dos sentidos primordiais do pensamento      crítico, que marcará fortemente a filosofia moderna, vendo a tarefa da      filosofia como a liberação do homem de preconceitos, ilusões e      superstições.
  • “Razão      instrumental” e pensamento crítico:

a)   O conhecimento se desenvolve na medida em que adotamos o método correto;

b)  Valorização da experiência como observação empírica;

c)   Ciência ativa, prática ou aplicada;

d)  Combate às superstições e preconceitos, permitindo assim o progresso de nosso conhecimento e o aperfeiçoamento da condição humana (idéia de progresso).

  • O      conhecimento como poder; domínio técnico da natureza; interferência na      natureza para transformá-la conforme as necessidades e os interesses      humanos; razão instrumental. Nesse sentido veja-se o aforismo de Bacon:

Ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando se lhe obedece. E o que à contemplação apresenta-se como causa é regra na prática (Novum organum, III).

  • A      “razão instrumental” defendida por Bacon e sua glorificação da técnica,      serão fortemente questionadas na filosofia contemporânea, em particular      pela Teoria Crítica desenvolvida pela Escola de Frankfurt (Max Horkheimer,      Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamim, Leo Lowenthal, entre      outros) e por Martin Heidegger (1889-1976), que faz uma crítica radical da      tradição filosófica da metafísica ocidental, bem como da sociedade da      técnica.

Com o objetivo de libertar o homem de ilusões e superstições, bem como propiciar novas descobertas no campo do conhecimento, Bacon explicita a sua teoria dos ídolos (Novum organum, seções XXXVIII-XLIV). Os ídolos são ilusões ou distorções que, segundo Bacon, “bloqueiam a mente humana”, impedindo o verdadeiro conhecimento. Os ídolos podem ser de quatro tipos: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro (idola fori, ou idols of the market place) e ídolos do teatro.

Danilo Marcondes sintetiza os quatro tipos de ídolos, segundo a exposição de Francis Bacon em Novum organom, conforme abaixo apresentamos.

Os ídolos da tribo resultam da própria natureza humana, “tribo” significando aí a espécie humana, e Bacon indica com isso que o homem por natureza não tem nenhuma relação com o universo que permita que o conheça tal como é: o homem não é um microcosmo que reflete em si as características do macrocosmo. Rompe assim a concepção clássica e renascentista que dá a o homem um lugar privilegiado no mundo em função de sua própria natureza e aponta para o que será uma das questões centrais do pensamento moderno: os limites da natureza humana no processo de conhecimento do real. Segundo Bacon, “o intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe” (Novum organum, XLI).

Os ídolos da caverna são conseqüência das características individuais de cada homem, de sua constituição física e mental, das influências que sofre de seu meio etc. Portanto, “o espírito humano – tal como se acha disposto em cada um – é coisa vária, sujeita a múltiplas perturbações, e até certo ponto sujeita ao acaso” (ibid., XLII).

Os ídolos do foro (ou do mercado) são resultado das relações entre os homens, da comunicação e do discurso, sendo que “as palavras forçam o intelecto e o perturbam por completo. E os homens são, assim, arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e fantasias” (ibid, XLIII).

Os ídolos do teatro são derivados das doutrinas filosóficas e científicas antigas e novas, que “figuram mundos fictícios e teatrais”. O texto prossegue examinando os diferentes tipos de ídolos e desenvolvendo uma crítica dos sistemas tradicionais filosóficos e de ciência, sobretudo o aristotélico.[2]

  • Crítica      ao método dedutivo da lógica de Aristóteles, e explicação sobre a      importância da indução, como caminho a seguir na investigação da natureza.
  • Importância      da noção de “descoberta”.

Antônio J. Resende[3]


[1] BACON, Francis. Novum organum, ou, Verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza; Nova Atlântida. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Os Pensadores).

[2] MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1988. p. 178-179. Grifos do autor.

[3] Professor na PUC-Goiás e no IFTSC.

Publicado em Magistério da Igreja

Resenha da Exortação Apostólica Pós-sinodal Pastores Dabo Vobis

A exortação apostólica pós-sinodal foi publicada em 25 de março, Solenidade da Anunciação do senhor, do ano de 1992, no décimo quarto ano do Pontificado de João Paulo II, e tem por base a promessa do Senhor que não deixará seu povo privado de pastores que o reúnam e guiem (Cf. Jr 23,4).

A obra está escrita em seis partes em que se encontram importantes temas como, respectivamente: a formação sacerdotal perante os desafios do final do segundo milênio; a natureza e missão do sacerdócio ministerial; a vida espiritual do sacerdote; a vocação sacerdotal na pastoral da Igreja; a formação dos candidatos ao sacerdócio; e a formação permanente do sacerdócio.

Os sacerdotes são homens como outros quaisquer, escolhidos por Deus para anunciarem autenticamente o Evangelho de Cristo, evitando uma religiosidade sem Deus. Apesar de vivermos numa sociedade de consumo, o que fascina fortemente os jovens e dificulta o discernimento destes ao sacerdócio, verifica-se que não faltam situações e estímulos que suscitam e alimentam em seus corações novas disponibilidades ao dom total de si a Cristo e à Igreja, tornando mais explícita, em muitos deles, a questão religiosa e a necessidade de espiritualidade. Agora, como formar sacerdotes que estejam verdadeiramente à altura destes tempos, capazes de evangelizar o mundo de hoje? A Igreja sente que pode enfrentar as dificuldades e garantir servidores fiéis e generosos de Jesus Cristo e dos homens.

A melhor forma de desenvolver a promoção e o discernimento vocacional é o conhecimento da natureza e da missão do sacerdócio ministerial, o qual encontra sua fonte na Santíssima Trindade e se prolonga na união com Deus e com todo o gênero humano. Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote da nova aliança, que veio, não para ser servido, mas para servir, e que chama novos presbíteros para prolongar Sua presença no mundo, dando testemunho de fidelidade e de amor generoso, em comunhão hierárquica com o próprio bispo.

Como se tornaram instrumentos vivos de Cristo, os sacerdotes precisam se deixar guiar pelo Espírito Santo em ordem à santidade e à perfeição da caridade, próprios do comportamento de Jesus. Essa caridade pastoral deve determinar todo o modo de pensar e de agir do presbítero e unificar todas as suas atividades, orientando-os para viver os Conselhos Evangélicos da obediência, pobreza e castidade, por uma livre e amorosa decisão. Assim, cada sacerdote deve procurar se santificar para ajudar aos irmãos a seguir a sua vocação à santidade.

A Igreja tem a missão de cuidar do nascimento, discernimento e acompanhamento das vocações cristãs, principalmente da sacerdotal, a qual é um dom destinado à edificação da própria Igreja e ao crescimento do Reino de Deus no mundo. Toda vocação sacerdotal é um dialogo entre o amor de Deus que chama e a liberdade do homem que, no amor, responde a Deus, ou seja, é um dom da graça divina, que deve ser cuidada numa firme e persuasiva proposta de direção espiritual, educando os candidatos a um verdadeiro compromisso de serviço gratuito para o sacrifício e para a doação total de si mesmo.

O tempo de formação ao sacerdócio é destinado a desenvolver no candidato um relacionamento de comunhão e de amizade profunda com o Senhor. Esta formação deve iniciar-se no seminário, que deve ser considerado como uma verdadeira família que vive na alegria, e permanecer por toda a vida, afim de que os seminaristas sejam habituados a escutar a voz de Deus que lhes fala no íntimo do coração e a aderir com amor e firmeza à sua vontade, por meio da leitura meditada e orante da Palavra de Deus diariamente. Os estudos acadêmicos servem para ajudar os candidatos a desenvolverem uma consciência reflexiva (filosofia) e levá-los a possuírem uma visão das verdades reveladas por Deus (teologia), destinando-os sempre a comungar da caridade de Cristo.

Ao longo dos anos, o sacerdote deve passar por um processo de contínua conversão, sempre radicada e vivificada na fidelidade ao ministério sacerdotal com ênfase na caridade pastoral, a fim de gerar o Cristo nele e nos outros, fazendo com que o padre seja um crente e se torne sempre mais crente. O primeiro responsável por essa formação é o próprio padre, depois a Igreja particular, a família e, por fim, a própria comunidade. Tudo para manter a “juventude” de espírito que há dentro de cada sacerdote.

A forma abordada por João Paulo II instiga o leitor a seguir com mais fervor sua vocação, relembrando como é importante o ministério sacerdotal para o mundo e o quanto a Igreja se preocupa com o bem estar de cada um, principalmente, de cada sacerdote, que faz uma doação total de si. Este documento é recomendado para todos os sacerdotes, religiosos, missionários e para os candidatos à vida sacerdotal e religiosa, para que se empenhem mais na doação de si aos serviços do próximo. Também aos leigos que queiram ajudar mais os párocos de suas cidades. Principalmente, essa obra é de grande relevância para as casas de formação de sacerdotes, que devem formar pastores segundo o coração de Jesus.

O Papa João Paulo II é polonês e foi considerado um dos líderes mais aclamados do século XX. Visitou 129 países durante seu pontificado, o que lhe deu o título de papa mais popular da História. Faleceu em 02 de Abril de 2005 devido a sua saúde débil e o agravamento da doença de Parkinson. Em 19 de dezembro de 2009 foi proclamado “Venerável” pelo seu sucessor o Papa Bento XVI, e em 01 de maio de 2011 proclamado “Beato”.

Cláudio José de Carvalho[1]


[1] Seminarista da Diocese de Itumbiara, no 2º ano de Filosofia do IFTSC.

Publicado em Opinião

O homem verdadeiramente livre edifica o mundo

Na era das permissividades, os homens temos uma errônea ideia do que é lícito e aceitável. A noção do imoral, do desumano e da impudicícia tomou o sentido inverso, de vivência adequada; ao passo que os valaores idôneos têm sido compreendidos, cada vez mais, como dissolução da liberdade humana.

O problema hodierno é, pois, o que a humanidade entende do que seja liberdade. “Seria a liberdade a entrega, total e sem reservas, aos impulsos dos desejos que habitam cada indivíduo?”. Provavelmente, é esta a ideia que a sociedade atual concebe como liberdade. Desse modo, tem-se o ser humano como ser norteado por suas ações impulsivas, desgovernadas, sem orientação.

Porém, conceber, desta maneira, a liberdade pode impedir o homem de exercer um grande dom que é seu: fazer do mundo um mundo melhor. Pois, sendo orientado pela impulsividade, o indivíduo não consegue estabelecer limites entre a sua liberdade própria e a alheia. Assim, a possibilidade de se gerarem conflitos é imensa e, certamente, ocorreria o aniquilamento do homem por si mesmo. Seria, portanto, o fim da complexa, mas magnífica humanidade.

É preciso, pois, compreender aquilo que o apóstolo Paulo, já bem antes deste tempo presente, dizia em seus escritos: ” ‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo me convém (…), não me deixarei escravizar por coisa alguma” (I Cor 6,12). Porque a sociedade atual vive uma escravidão, cujo opressor é o próprio ego humano que, lamentavelmente, se fecha em si e exclui tudo o que não seja “eu”. Logo, cada pessoa considera ter o direito de agir como bem acredita, inconsequentemente.

Quão bom seria, entretanto, se cada um doasse um pouco de si em favor da harmonia do conjunto. O ser humano seria, assim, uma gota d’água nesse imenso oceano da diversidade de dons, sem a qual o oceano já não seria tão diverso. Pois cada qual completa essa fascinante e concordiosa obra prima, constituída do homem e de tudo o que existe, fruto da sabedoria divina.

Tudo isso se tornaria realidade, à medida que o homem, verdadeiramente livre, capaz de dar-se regras necessárias, se deixasse ser conduzido como lápis nas mãos de Deus, que por Amor, com Amor e no Amor ajuda cada pessoa e todo o mundo a fazer de sua vida uma bela página da história da existência humana.

Portanto, recuperar não só a noção, mas, sobretudo, a vivência dos idôneos valores conduzirá o homem ao verdadeiro e justo modo de ser livre; através do qual poderá ser capaz de edificar um mundo dotado de necessária harmonia. Pois, de nada adianta a liberdade, distorcidamente entendida, se o ser humano não é capaz de tornar melhor o mundo em que vive.

Adelso J. Guimarães[1]


[1] Seminarista da Diocese de São Luis dos Montes Belos, no 2º ano de Filosofia no IFTSC (www. adelsojguimaraes.blogspot.com)

Publicado em Ano da Fé, Catecismo da Igreja Católica, Magistério da Igreja

Síntese dos nn. 1 a 17 do Catecismo da Igreja Católica

Introdução do Catecismo da Igreja Católica

I – A Vida do Homem Conhecer e Amar a Deus: 1) Desde sempre e em todo lugar, Deus, que criou o homem, está perto dele. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade de sua família, a Igreja.

2) A fim de que este chamado ressoe pela terra inteira, Cristo enviou os apóstolos que escolhera, dando-lhes o mandato de anunciar o Evangelho: Ide, fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28,19-20).

3) Os que com a ajuda de Deus acolheram o chamado de Cristo e lhe responderam livremente foram por sua vez impulsionados pelo amor de Cristo a anunciar por todas as partes do mundo a Boa Notícia. Este tesouro recebido dos apóstolos foi guardado fielmente por seus sucessores. Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração, anunciando a fé, vivendo-a na partilha fraterna e celebrando-a na liturgia e na oração.

II. Transmitir a fé – a catequese: 4) Bem cedo passou-se a chamar de catequese o conjunto de esforços empreendidos na Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a crerem que Jesus é o Filho de Deus, a fim de que, por meio da fé, tenham a vida em nome dele, para educá-los e instruí-los nesta vida, e assim construir o Corpo de Cristo.

5) A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os iniciar na plenitude da vida cristã.

7) A catequese anda intimamente ligada com toda a vida da Igreja. Não é somente a extensão geográfica e o aumento numérico, mas também e mais ainda o crescimento interior da Igreja, sua correspondência ao desígnio de Deus que dependem da catequese mesma.

III. O objetivo e os destinatários: 11) O presente Catecismo tem por objetivo apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do Concílio Vaticano II e do conjunto da Tradição da Igreja. Suas fontes principais são a Sagrada Escritura, os Santos Padres, a Liturgia e o Magistério da Igreja. Destina-se ele a servir como um ponto de referência para os catecismos ou compêndios que são elaborados nos diversos países.

12) O presente Catecismo é destinado principalmente aos responsáveis pela catequese: em primeiro lugar aos Bispos, como doutores da fé e pastores da Igreja. É oferecido a eles como instrumento no cumprimento de seu ofício de ensinar o Povo de Deus. Por meio dos Bispos, ele se destina aos redatores de catecismos, aos presbíteros e aos catequistas. Será também útil para a leitura de todos os demais fiéis cristãos.

IV. A estrutura deste catecismo: 13) O projeto deste Catecismo inspira-se na grande tradição dos catecismos que articulam a catequese em tomo de quatro pilares: a profissão da fé batismal (o Símbolo), os sacramentos da fé, a vida de fé (os Mandamentos), a oração do crente (o Pai-Nosso).

A Profissão da Fé: 14) Os que pela fé e pelo Batismo pertencem a Cristo devem confessar sua fé batismal diante dos homens. Por isso, o Catecismo começa por expor em que consiste a Revelação, pela qual Deus se dirige e se doa ao homem, bem como a fé, pela qual o homem responde a Deus (Seção 1). O Símbolo da fé resume os dons que Deus outorga ao homem como Autor de todo bem, como Redentor, como Santificador, e os articula em tomo dos três capítulos de nosso Batismo a fé em um só Deus: o Pai Todo-Poderoso, o Criador, Jesus Cristo, seu Filho, nosso Senhor e Salvador, e o Espírito Santo, na Santa Igreja (Seção II).

Os Sacramentos de Fé: 15) A segunda parte do Catecismo expõe como a salvação de Deus, realizada uma vez por todas por Cristo Jesus e pelo Espírito Santo, se toma presente nas ações sagradas da liturgia da Igreja (Seção 1), particularmente nos sete sacramentos (Seção II).

A Vida da Fé: 16) A terceira parte do Catecismo apresenta o fim último do homem, criado à imagem de Deus: a bem-aventurança e os caminhos para chegar a ela: mediante um agir reto e livre, com a ajuda da fé e da graça de Deus (Seção I), por meio de um agir que realiza o duplo mandamento da caridade, desdobrado nos dez Mandamentos de Deus (Seção II).

A Oração na Vida da Fé: 17) A última parte do Catecismo trata do sentido e da importância da oração na vida dos crentes (Seção 1). Ela termina com um breve comentário sobre os setes pedidos da oração (Seção II). Com efeito, nesses sete pedidos encontramos o conjunto dos bens que devemos esperar e que nosso Pai celeste quer conceder-nos.

Diácono Ueslei Vaz Aredes[1]


[1] Seminarista da Diocese de Itumbiara, no 4º ano de Teologia no IFTSC.

Publicado em Filosofia, Humanismo, Monografias Filosóficas

O conceito de amor em Eric From: uma análise psico-filosófica

Diante das dimensões existenciais do homem, este trabalho faz um estudo sobre um dos grandes problemas da sociedade, a falta de Amor. Este tema reflete realisticamente as forças políticas, econômicas, sociológicas, filosóficas, psicológicas e outras, que conformam a problemática vivida pelo mundo atual.

Compreender o significado do amor na vida do homem e, analisar sobre quais planos que se pauta suas ações, são objetivos da pesquisa. Quase tudo é mais considerado importante do que o amor: o sucesso, o prestígio, o dinheiro, o poder. Quase toda a energia é utilizada em aprender como alcançar esses alvos e quase nenhuma é dedicada a aprender a arte de amar.

Tudo isso é observado em nossa cultura que se baseia no apetite da compra e na ideia de uma troca mutuamente favorável. A maioria das pessoas vê o problema do amor, antes de tudo, como o de ser amado, em lugar do de amar.

As medidas sugeridas para a solução estão no cultivo deste grande valor e, sobretudo, no desenvolvimento da árdua capacidade de dar de si, a vida, promovendo uma autêntica interrelação.[1]

Wallison Rodrigues da Silva[2]

Palavras-chave: amor, existência humana, valores, interrelação, sociedade.

Íntegra do TCC: O conceito de amor em Eric From: uma análise psico-filosófica


[1] Resumo do TCC apresentado em 1º de dezembro de 2011.

[2] Seminarista da Diocese de São Luis de Montes Belos, no 1º ano de Teologia.