Publicado em Autores Renomados, Filosofia, Filosofia Moderna

Filosofia de Francis Bacon

Francis Bacon (1561-1626) nasceu em Londres, Inglaterra. Suas principais obras são o Novum organum (1620), em que critica a concepção dedutiva de ciência derivada do Órganon aristotélico; The Advancemente of Learning (O progresso do saber), de 1605, publicado em 1623 em uma versão ampliada com o título de De augmentis, em que defende a idéia do progresso da ciência e da técnica; e o New Atlantis, publicado em 1627, representando um reino utópico e contendo um modelo de instituição de pesquisa científica, a Casa de Salomão.

A Royal Society o considerou um de seus inspiradores e Immanuel Kant dedicou-lhe a Crítica da Razão Pura (1770).

Dois aspectos importantes da filosofia de Bacon apresentados em Novum organum (1620)[1]:

1)  A sua concepção de pensamento crítico, contido na teoria dos ídolos;

2)  A defesa do procedimento indutivo no conhecimento científico e de um modelo de ciência antiespeculativo e integrado com a técnica.

  • Defesa      do método experimental contra a ciência teórica e especulativa clássica.      Afirma Bacon: “O homem, ministro e intérprete da natureza, faz e entende      tanto quanto constata, pela observação dos fatos ou pelo trabalho da      mente, sobre a ordem da natureza; não sabe nem pode mais” (Novum organum, I).
  • Rejeição      da filosofia escolástica;
  • Incentivo      ao progresso da ciência e da técnica;
  • Pode-se      dizer que a preocupação fundamental de Bacon é com formulação de um método      que evite o erro e coloque o homem no caminho do conhecimento correto.
  • Este      é um dos sentidos primordiais do pensamento      crítico, que marcará fortemente a filosofia moderna, vendo a tarefa da      filosofia como a liberação do homem de preconceitos, ilusões e      superstições.
  • “Razão      instrumental” e pensamento crítico:

a)   O conhecimento se desenvolve na medida em que adotamos o método correto;

b)  Valorização da experiência como observação empírica;

c)   Ciência ativa, prática ou aplicada;

d)  Combate às superstições e preconceitos, permitindo assim o progresso de nosso conhecimento e o aperfeiçoamento da condição humana (idéia de progresso).

  • O      conhecimento como poder; domínio técnico da natureza; interferência na      natureza para transformá-la conforme as necessidades e os interesses      humanos; razão instrumental. Nesse sentido veja-se o aforismo de Bacon:

Ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando se lhe obedece. E o que à contemplação apresenta-se como causa é regra na prática (Novum organum, III).

  • A      “razão instrumental” defendida por Bacon e sua glorificação da técnica,      serão fortemente questionadas na filosofia contemporânea, em particular      pela Teoria Crítica desenvolvida pela Escola de Frankfurt (Max Horkheimer,      Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamim, Leo Lowenthal, entre      outros) e por Martin Heidegger (1889-1976), que faz uma crítica radical da      tradição filosófica da metafísica ocidental, bem como da sociedade da      técnica.

Com o objetivo de libertar o homem de ilusões e superstições, bem como propiciar novas descobertas no campo do conhecimento, Bacon explicita a sua teoria dos ídolos (Novum organum, seções XXXVIII-XLIV). Os ídolos são ilusões ou distorções que, segundo Bacon, “bloqueiam a mente humana”, impedindo o verdadeiro conhecimento. Os ídolos podem ser de quatro tipos: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro (idola fori, ou idols of the market place) e ídolos do teatro.

Danilo Marcondes sintetiza os quatro tipos de ídolos, segundo a exposição de Francis Bacon em Novum organom, conforme abaixo apresentamos.

Os ídolos da tribo resultam da própria natureza humana, “tribo” significando aí a espécie humana, e Bacon indica com isso que o homem por natureza não tem nenhuma relação com o universo que permita que o conheça tal como é: o homem não é um microcosmo que reflete em si as características do macrocosmo. Rompe assim a concepção clássica e renascentista que dá a o homem um lugar privilegiado no mundo em função de sua própria natureza e aponta para o que será uma das questões centrais do pensamento moderno: os limites da natureza humana no processo de conhecimento do real. Segundo Bacon, “o intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe” (Novum organum, XLI).

Os ídolos da caverna são conseqüência das características individuais de cada homem, de sua constituição física e mental, das influências que sofre de seu meio etc. Portanto, “o espírito humano – tal como se acha disposto em cada um – é coisa vária, sujeita a múltiplas perturbações, e até certo ponto sujeita ao acaso” (ibid., XLII).

Os ídolos do foro (ou do mercado) são resultado das relações entre os homens, da comunicação e do discurso, sendo que “as palavras forçam o intelecto e o perturbam por completo. E os homens são, assim, arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e fantasias” (ibid, XLIII).

Os ídolos do teatro são derivados das doutrinas filosóficas e científicas antigas e novas, que “figuram mundos fictícios e teatrais”. O texto prossegue examinando os diferentes tipos de ídolos e desenvolvendo uma crítica dos sistemas tradicionais filosóficos e de ciência, sobretudo o aristotélico.[2]

  • Crítica      ao método dedutivo da lógica de Aristóteles, e explicação sobre a      importância da indução, como caminho a seguir na investigação da natureza.
  • Importância      da noção de “descoberta”.

Antônio J. Resende[3]


[1] BACON, Francis. Novum organum, ou, Verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza; Nova Atlântida. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Os Pensadores).

[2] MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1988. p. 178-179. Grifos do autor.

[3] Professor na PUC-Goiás e no IFTSC.

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Autor:

Instituto de formação de sacerdotes e religiosos da Província Eclesiástica de Goiânia.

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