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5º e último dia da IX Semana Acadêmica

A sexta e última noite da IX semana acadêmica iniciou-se com apresentações dos trabalhos acadêmicos. O primeiro a apresentar foi o Diácono Rodrigo Lacerda que abordou a temática:  A Teologia Como Paradoxo: A Tensão Constitutiva Do Mistério. Segue o resumo do seu trabalho:

A teologia católica é uma ciência que pressupõe a fé. Esta fé se configura numa acolhida de um mistério totalmente superior à razão humana, ao mesmo tempo em que se apresenta livremente a esta razão como seu objeto específico. Esta característica faz com que a ciência teológica se configure como uma ciência totalmente sui generis, pois se arroga um caráter científico se firmando sobre fundamentos paradoxais, ou seja, que superam (para) a opinião (doxa) humana. Este trabalho visa apresentar que a teologia, em todos os seus âmbitos, tem o desafio de manter em seu seio afirmações que aparentemente são antagônicas, apresentando este paradoxo como racional e expressão do mistério que é seu objeto próprio.

Diácono Rodrigo apresentando os resultados de sua pesquisa.
Diácono Rodrigo Lacerda apresentando  seu trabalho

A segunda apresentação ficou por conta do seminarista Willian Francisco de Sousa. Willian apresentou os resultados da sua pesquisa que teve por temática “Uma Abordagem Teológica da Sexualidade Humana”.

A relevância desta pesquisa se dá pelo fato de que a sexualidade permeia todo o ser humano e é parte fundamental de sua estrutura. Faz-se caro à teologia a discussão desse assunto, pois nela encontra-se o Verbo feito homem que, por sua vez, fornece as bases e caminhos para se discorrer sobre Deus, e sobre o próprio homem. Outro aspecto relevante para esta pesquisa é o fato da vida afetiva ser construída a partir da identidade sexual do ser humano. Surge, então, a necessidade de uma boa compreensão da sexualidade humana, a fim de que o agir humano siga o “ser” e também se possa compreender a dinâmica da afetividade nesse processo. Por todos esses motivos, torna-se urgente uma atividade pastoral que oriente o ser humano em sua sexualidade. Portanto, é importante deixar claro que a sexualidade humana deve ser vista a partir de uma totalidade, e não fragmentada ou reduzida, pois ela expressa aquilo que, o homem ou a mulher, é por inteiro.

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Seminarista Willian

Quem esteve presente pôde perceber o quanto é necessário  realizar uma reflexão mais profunda sobre assuntos que são bastante recorrentes e polêmicos na sociedade contemporânea, principalmente em conteúdos que dizem respeito à sexualidade.

 

 

Logo em seguida a exposição do trabalho acadêmico ficou por conta do Seminarista Lenílson Oliveira Paula Silva.  O tema “A descrição do ressentimento na investigação genealógica da moral de F. W. Nietzsche.”, de início despertou a curiosidade nos ouvintes, que certamente saíram enriquecidos e com um olhar mais clínico em relação ao polêmico filósofo Nietzsche.

Vale a pena ler o breve resumo do trabalho apresentado: Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, ao investigar a genealogia dos valores mais tradicionais da sociedade ocidental, enxerga no ressentimento o processo fisiológico e psicológico que possibilitou a inversão dos valores aristocratas pelos escravos. O ressentimento, então, torna-se a pedra angular da qual se erige os valores morais dos escravos (ou do homem do ressentimento). O objetivo deste trabalho é investigar o papel do ressentimento na transvaloração dos valores, na obra “Genealogia da moral”. A escolha pela obra “Genealogia da moral”, uma obra tardia que apresenta ideias mais amadurecidas de Nietzsche, se deu porque nela esse conceito se apresenta de modo mais explícito, mais claro. O ressentimento consiste no processo psicofisiológico em que há agressão a outro e este não a digere com uma reação espontânea; Pelo contrário, a transforma em sentimento e ressente-se dela. Nietzsche percebe dois modos valorativos distintos, a dos nobres e dos escravos. Os nobres são aqueles que, ao sofrer uma agressão, reagem espontaneamente. Os escravos que, por não reagirem espontaneamente devido à sua constituição fisiológica, reagem pela transmutação dos valores cardeais de ‘bom’, ‘ruim/mal’ e de ‘justiça’. Das duas formas valorativas, a escrava venceu e perdura até hoje, ocasionando o adoecimento do homem ocidental.

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Seminarista Lenílson apresentando seu trabalho

Para encerrar o momento das comunicações, exposições dos trabalhos acadêmicos, o acadêmico do curso de filosofia, Edgar Junio Santos, deu a sua contribuição apresentando a sua pesquisa monográfica sobre :A Virtude da Prudência na Ética de Tomás de Aquino”.

O objetivo desse trabalho é apresentar a prudência como a primeira entre todas as virtudes morais. Ela é guia de todas as outras e por isso é chamada “mãe das virtudes”. Será visto que a prudência é, ao mesmo tempo, uma virtude intelectual, por sua natureza, e moral, porque atua no âmbito prático do agir humano. Ela reside na razão prática, consiste na reta razão de agir e se desenvolve nas ações humanas. A prudência é a origem de todas as virtudes morais, uma vez que só é justoEdgar, corajoso e temperado quem é prudente. Serão abordadas também as principais partes constitutivas da prudência, sendo elas as partes integrantes, as subjetivas e as potenciais. Consideraremos ainda os principais vícios opostos ao agir moral, sendo a luxúria o principal porque dificulta, por sua busca incessante pelo prazer sexual, que o ser humano faça um julgamento claro ou que se submeta ao comando reto de uma virtude intelectual como a prudência. Conclui-se, assim, que a importância de se conhecer a prudência está na compreensão desta como um caminho moral que tem como finalidade a felicidade última do homem.

Não parou por aqui, logo após as comunicações, os participantes da IX semana acadêmica foram presenteados como a “discussão em mesa redonda” que trouxe em síntese o tema: “Processos Migratórios: questões geopolíticas e humanas, abordado pelos Professores:  Ms. Neusa Barbeiro, Ms. Pe. Mariosan Marques e Ms. Uene José.

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Professores:  Ms. Uene José,  Ms. Pe. Mariosan Marques e Ms. Neusa Barbeiro

Após a mesa redonda, os participantes se dirigiram ao Auditório Mãe da Igreja onde aconteceu a apresentação cultural. Os seminaristas do Seminário Interdiocesano São João Maria Vianney presentearam o público com uma linda encenação onde as temáticas sobre o meio ambiente foram ratificadas e certamente fixada nos corações daqueles que souberam aproveitar cada momento. apresentação cultural 1

A encenação  foi de caráter franciscano, especialmente pelo fato de São Francisco ser um dos defensores e apreciadores da mãe natureza.

Na imagem ao lado, percebe-se um cenário onde remete à simplicidade franciscana.

Para aqueles que assistiram à apresentação, certamente, ficou um gostinho de quero mais. A IX semana acadêmica não poderia terminar melhor. Podemos fazer sempre mais, porém, certamente, a encenação não deixou a desejar, pois foi uma descoberta e redescobertas de novos talentos.

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Momento da apresentação

Finalizando, o Padre David aproveitou do momento e agradeceu aos participante e a todos aqueles que colaboraram para que a IX semana acadêmica tivesse os resultados almejados. Que venha a 10º Semana Acadêmica! Contamos com a presença de todos.

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4º dia da IX Semana Acadêmica

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A primeira comunicação da noite teve como tema “O pluralismo ontológico em Heidegger: intuições para a ética e a ecologia” e foi ministrada pelo professor José Reinaldo F. Martins Filho, docente no curso de Filosofia do Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz. O professor tratou sobre “o pluralismo ontológico presente no pensamento de Martin Heidegger realçando suas eventuais contribuições para a ética e a ecologia”.  Segundo José Reinaldo, Heidegger depois de realizar uma importante diferenciação entre ser e ente, justamente para a elaboração de sua obra Ser e Tempo, classifica os entes de acordo com os suas específicas formas de transparecerem como ser. Também salientou que entre outros conceitos, “merecem destaque os de ‘ser-simplesmente-dado’ (Vorhandenheit), ‘utensílio’ (Zuhandenheit), ‘presença’ (Dasein), ‘conviva’ (Miteinandersein) e ‘impessoal’ (das Man), bem como o que significam no desenvolvimento de sua fenomenologia da existência fática. Apesar de formalmente distintos, todos estes modos têm em comum o que aqui consideramos como um fundo de participação na totalidade de ser. Este dado, como sustentaremos, tem sido tomado como pressuposto para o alargamento de uma concepção ética unicamente focada na existência humana, reconhecendo sua inserção em um horizonte bem mais amplo.”

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O acadêmico do 3º ano de Filosofia do IFTSC e Seminarista da Diocese de Itumbiara, Walisson Rodrigues Freitas realizou a terceira comunicação da noite com o tema: “O autoconhecimento como forma de aquisição da humildade e da liberdade em S. Bernardo De Claraval”.

Confira na íntegra uma parte da comunicação do estudante: “A construção filosófico-medieval de S. Bernardo de Claraval é ascética em procura da verdade, deste modo, esta busca só pode partir do homem, para tal, precisa o homem se conhecer. O homem que se conhece, partindo de uma profunda análise de sua consciência, que se percebe criatura frágil, inclinado às paixões desordenadas da alma, se torna humilde e em busca de uma verdade, neste caminho, o homem, enfim, possui a liberdade, liberdade esta que é propriamente a capacidade de deliberação, porém, uma deliberação consciente, um consentimento de poder escolher, entre o bem e o mal, em última análise, com uso excepcional da razão. A razão é sempre a condutora da liberdade e, portanto, segundo o autor, só há liberdade quando a liberdade do homem, unida ao Espírito de Deus, se inclina para o Bem. Essa proposta de comunicação leva em consideração o período filosófico de nosso autor e a construção argumentativa que envolve o pensamento medieval na ótica de S. Bernardo.”

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Como a terceira comunicação da noite, o acadêmico Breno Silva Martins do terceiro ano de Filosofia do IFTSC e seminarista da Diocese de Ipameri, apresentou sobre A desproporção do homem em relação à natureza e sua proposta epistemológica em Blaise Pascal”.

Breno destacou que “no tempo de Blaise Pascal, matemático, físico e filósofo, vigoravam correntes humanistas. Tais concepções filosóficas defendiam que a razão humana é capaz de captar e apreender a natureza ou a essências das coisas, o que é inaceitável para Pascal. Ele assume em sua filosofia posições céticas provindas do Ocidente, fazendo com que sua filosofia tenha uma conotação trágica e pessimista em relação ao homem. Sendo assim, Pascal se preocupa em demonstrar as limitações da razão humana, incapaz por si mesma de explicar a condição humana no universo. O filósofo incorpora, em sua antropologia, conceitos importantes que advém das filosofias de Epiteto, Montaigne, Agostinho e Descartes. O esforço pascaliano é de propor uma maneira eficaz de explicar por completo a condição humana, que não seja somente pelos raciocínios lógicos (o Espírito Geométrico). Essa estrutura cognoscível pascaliana é chamada de ‘Espírito de finura’ ou ‘conhecimento do coração’. No coração reside a fé. A fé é um dom dado por Deus, que tem como objetivo o Cristo mediador, o único capaz de explicar toda a desproporção do homem. Cabe à religião propagar o Cristo mediador, pois ninguém explica melhor a condição humana do que a religião, segundo Pascal.”

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O acadêmico Eulrieris Ramos de Souza, estudante do segundo ano de filosofia do IFTSC e seminarista da Diocese de Rubiataba-Mozarlândia conduziu a quarta comunicação da noite discorrendo sobre “Conhecimento e Verdade em SantoTomás de Aquino”.

De acordo com o estudante de filosofia “um assunto recorrente na história da filosofia é pensar sobre a teoria do conhecimento, o que está diretamente ligado ao problema da verdade. Santo Tomás de Aquino escreveu muito sobre o conhecimento e a verdade, contextualizado na época escolástica da Idade Média. O conhecimento, para ele, é um processo único que ocorre em três etapas, a saber, a percepção sensível, o juízo e o raciocínio. A etapa do juízo é a mais importante, pois nela ocorrem operações que irão gerar o conhecimento propriamente dito. Em relação ao segundo tema, Santo Tomás define a verdade como adequação entre o intelecto e a coisa. Estabelece que a verdade está primeiramente no intelecto e depois na coisa, porém ele se refere ao intelecto divino, no qual há perfeita adequação entre o intelecto e o ente. O intelecto humano é secundariamente o lugar da verdade e impropriamente está na coisa. Assim, o Ser supremo é propriamente a verdade a partir da qual todas as outras dependem, na ordem de ser”.

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O destaque da noite de quinta-feira em nossa Semana Acadêmica, foi a palestra do professor e doutor José Jivaldo Lima, que abordou o tema “Meio Ambiente: responsabilidade ético-política. Reflexões numa perspectiva tomasiana”.

O professor destacou que “a ética tomasiana, estribada na Ética aristotélica, propõe a solidariedade das virtudes no espaço da sociedade política. Nessa perspectiva as virtudes são ações politicamente comprometidas com o bem-estar social que se pode chamar de eupraxía. Assim temos que associar a isto o Meio-Ambiente que igualmente é um espaço de exercício político das virtudes.”

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3° Dia da IX Semana Acadêmica

O destaque da 3° noite da IX Semana Acadêmica do Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz foi a conferência do Frei Gilberto Garcia, OFM, que é Membro do Conselho Nacional de Educação. A conferência sobre “Meio Ambiente e Integridade da Criação” impressionou a todos que dela participaram.

A partir de uma retomada da visão cosmológica medieval, notou-se uma profunda divergência na relação do homem com a natureza: se antes o homem interagia com a criação por ver a si mesmo ligado à ela, formando uma unidade harmônica, de modo que a destruição da natureza seria quase impensável, à partir da modernidade, com o dualismo cartesiano, tal unidade cedeu ao isolamento individual, onde não há mais uma harmonia entre homem e cosmos, homem e natureza. A atitude advinda desta mentalidade não é a do homem que colabora com o desenvolvimento da natureza, mas do homem que dela usufrui de maneira individualista e, por que não dizer?, egoísta.

A contemporaneidade não enxerga a natureza como uma unidade, porém é apenas soma de partes, não mais um todo ordenado. A partir disto, Frei Gilberto realizou uma reflexão sobre O Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis.

 

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3° dia da IX Semana Acadêmica

Na abertura da 3° noite da IX Semana Acadêmica, o acadêmico e seminarista Filipe Cristino, da Diocese de Ipameri, apresentou uma breve comunicação sobre o tema “O Encontro Da Verdade E Da Beatitude Pelo Cultivo Da Interioridade Em Santo Agostinho”.

Confira o resumo da apresentação: “Agostinho foi um pensador que sempre buscou conjugar a sua teoria com a sua própria vida, fazendo da experiência filosófica uma experiência viva da sua própria espiritualidade. Tal aspecto se sobressaiu na temática do conhecimento e da vivência ética voltada para a felicidade, pois ambas as teorias, em Agostinho, são mutuamente dependentes por fazerem parte, em diferentes facetas, de uma só vivência. Para tal, Agostinho recorre a um conceito fundamental para unificar essas duas dimensões filosóficas: a interioridade. Com uma significativa influência do neoplatonismo, Agostinho conjuga a busca da verdade e a vivência ética em um único movimento de interiorização que se destina a um encontro com a Verdade, que é Deus. Este presente trabalho se propõe a explorar esse itinerário agostiniano, iniciando o seu percurso com o problema da felicidade e sua relação com Deus para depois entrar na temática do conhecimento, incorporando sempre tais perspectivas à temática da interioridade.”

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A segunda comunicação da noite foi apresentada por Gustavo Augusto da Silva,  estudante de filosofia do IFITEG, com o tema: “A Moral Agostiniana e o Cuidado com a Natureza.”

Confira o resumo da apresentação: “Santo Agostinho concebe toda a criação como algo que está intrinsecamente ligado ao Homem. Deus se doa totalmente às criaturas no ato da criação. Sem estar ligada a tempo algum, a Eternidade se faz agora compreensível aos seres. O Homem pode pensá-la e refletir sobre ela de acordo com suas acepções de temporalidade, dadas na mente. A moral se encontra nesta temporalidade; ela está como que “organizadora e perpetuadora” dos bens criados por Deus. Guiado pela fé e pela razão o Homem tem o dever mantedor da Ordem. A criação, de modo geral, está dentro dessa Ordem, resguardada por ela. A natureza é parte importantíssima presente na criação que abrange a vida do Homem por completo. Muito mais que apenas fauna e flora, a natureza é algo que transparece o ser de Deus de modo íntegro e verdadeiro. Nessa presente comunicação pretendemos elucidar os importantes conceitos citados acima e fazer uma atualização do que Agostinho nos fala sobre moral e o cuidado com a criação. Nosso objetivo é trazer para nosso século os ensinamentos deste atualíssimo filósofo e teólogo do séc. IV d.C., tomando sempre os devidos cuidados com anacronismos ou fundamentalismos.”

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Em seguida a palavra foi passada para Antônio Matosinho, acadêmico do IFITEG, cuja fala foi sobre “Reflexões acerca do ato responsável em Bakhtin e o cuidado com a ‘casa comum’”.

Eis o resumo da apresentação: “Na encíclica ‘Laudato Si’ são nítidos os esforços de anunciar/denunciar o comportamento mesquinho e irresponsável do homem que tem chagado a criação. Todo o texto é carregado de um urgente convite para renovar o diálogo sobre a questão ambiental, chamando todas as pessoas a assumir responsabilidade no cuidado e desenvolvimento sustentável do planeta. Portanto, procurar-se-á aqui aproximar teoricamente a concepção da unicidade singular na filosofia de Mikhail M. Bakhtin – que é perpassada pela alteridade -, e o compromisso com o outro, como nota-se na encíclica papal. Partindo da obra “Para uma filosofia do ato responsável”, será explanado acerca do cuidado com o planeta, a partir de uma singularidade em ligação com toda a vida, já que,em Bakhtin, o sujeito é sempre um agente posto em relação com o outro, em relação social; não podendo afirmar-se sem um compromisso ético, responsável e responsivo.”

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A última das apresentações coube a Antoniel Braga e Nathan Nunes, acadêmicos do IFITEG, sobre o tema: “O jardim de Epicuro às luzes da Ética”.

Confira o resumo: “Epicuro (341 a.C.), conhecido como o filosofo da alegria, pautou sua filosofia na hedoné, ou seja, numa vida prazerosa e feliz, mas sem voluptuosidade pueril, e na (felicidade). Transmitiu toda a filosofia em um Jardim (κεπος) no qual seus seguidores aprendiam seus ensinamentos e viviam numa vida de comunidade. Tal Jardim estava além da agitação da vida política, associado ao sossego da natureza. Nele, usufruía-se de perfeita paz, com uma paisagem de se admirar. Nele, ainda, o filosofo ensinava as pessoas a viver em paz e a conservar a serenidade da alma em meio a uma vida de dificuldades. Assim Epicuro fundou e reiterou sua ética, tendo como objetivo ensinar seus companheiros a cuidar de si e da vida como se cuida de um belo jardim. Nessa perspectiva, trataremos, neste artigo, de propor uma reflexão acerca da ética epicurista com um olhar voltado para o local em que Epicuro e seus discípulos viviam, o Jardim, analisando o que nos foi proposto pela Campanha da Fraternidade (CF 2017), cujo lema é “Cultivar e guardar a criação” (Gn. 2,15), tema abordado também na Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si.”

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2º Dia da IX Semana Acadêmica

          O segundo dia da IX Semana Acadêmica do IFTSC/PUC-Goiás ocorreu ontem (17/10) e reuniu professores e alunos dos cursos de Filosofia e Teologia das instituições citadas e também alunos do IFITEG-Goiás, além de membros da comunidade que se interessaram em refletir sobre o tema. Logo no início da noite foi apresentado um vídeo produzido pelos alunos do 2º ano de Teologia noturno PUC-GO, onde mostrava um diálogo entre São Francisco e a “irmã Água”.

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O acadêmico Brenno França apresenta seu TCC na IX Semana Acadêmica

          Após o vídeo, o acadêmico egresso do curso de Filosofia 2015/2 e seminarista da diocese de Jataí, Brenno França Borges, apresentou seu trabalho monográfico com o tema: “A Linguagem Como Morada Do Ser Em Heidegger: O modo de ser habitante na linguagem“.

          O resumo da pesquisa é apresentado abaixo: “A partir da concepção da abordagem heideggeriana, se desenvolverá o estudo acerca da linguagem em Heidegger, numa busca pela compreensão da linguagem ela mesma, na sua mostração ao pensar, no seu dar-se em seu ser e como ser. Trata-se da percepção ontológica da linguagem, ocorrente por conta da abertura para o ser vigoroso dela mesma, oriunda da abordagem fenomenológica, que conduzirá ao seu des-velamento, como morada do ser. A abordagem ontológica da linguagem revela a própria condição existencial do homem, seu modo de ser. Por meio do desenvolvimento desta reflexão, não se tem a pretensão de definir conceitualmente e estaticamente a linguagem, mas de apresentar com mais profundidade sua própria determinação para o homem, indo além dos conceitos até então, encapsuladores dela. Numa compreensão fundamental de linguagem, a partir de Heidegger, afirma-se que a linguagem entrou para o acervo da essência do homem.O mais essencial a ser alcançado é o reconhecimento do fulcro de possibilidades do homem, de onde emana sua própria existência performativa.”

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Prof. Me. Roberto Malheiros demonstra a importância do Cerrado no contexto dos biomas

          A primeira conferência da noite ficou a cargo do prof. ms. Roberto Malheiros, da PUC-GO, em que foram apresentados os biomas brasileiros, focando na importância do Cerrado em meio aos outros, já que tem contato com praticamente todos. Fiel ao tema proposto, sua apresentação cativou quem estava presente: “O Cerrado no contexto dos Biomas Brasileiros“.

          O resumo de seu trabalho pode ser conferido a seguir: “O bioma cerrado está inserido dentro da grande região biogeográfica denominada Neotropical. Localizado no planalto central do Brasil, possui uma área de aproximadamente 2.036.448 quilômetros quadrados de extensão, corresponde a 23,92% do total do território brasileiro, representa o segundo maior bioma brasileiro. A área nuclear do Cerrado está distribuída, principalmente, nos Estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, parte de Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Maranhão, Piauí, Rondônia e Distrito Federal.Neste bioma imperam climas tropicais de caráter sub-úmido com duas estações bem definidas: uma seca, outra chuvosa. O cerrado é caracterizado por paisagens que constituem um mosaico de tipos fisionômicos que variam desde campos abertos até áreas florestadas. Abriga as principais nascentes, que alimentam as grandes bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica, Platina, Paraguai e do São Francisco). Geograficamente, o bioma cerrado posiciona-se em um local estratégico, servindo como corredores naturais para a fauna terrestre e aquática, através da rede hidrográfica, facilitando o intercâmbio florístico e faunístico, entre os biomas brasileiros. Conhecer e preservar o bioma cerrado vem de encontro ao tema da campanha da Fraternidade deste ano. “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação”. A manutenção dos demais biomas brasileiros, passa pela preservação do cerrado, uma vez, que esta região é o ponto de equilíbrio para as demais, principalmente quando se trata dos recursos hídricos. O lema “cultivar e guardar a criação”, não veio como uma negação ao cultivo da terra, mas sim, como um alerta e um pedido de clemência, para mudança de métodos e atitudes que estão sendo empregados nessa região.”

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o prof. ms. e padre Cristiano Faria apresenta seu trabalho baseado na encíclica “Laudato Si”, do papa Francisco

          A segunda conferência da noite foi ministrada pelo professor mestre da PUC-GO e sacerdote da diocese de Jataí, padre Cristiano Faria, com o tema: “Ecologia Integral, novo paradigma de justiça“.

          O trabalho foi resumido pelo autor da seguinte maneira: “O tema da Ecologia integral, novo paradigma de justiça, é extraído do pensamento do Papa Francisco na Laudato Si, onde Francisco de Roma coloca-se na esteira de Francisco de Assis e inspira-se no Cântico das Criaturas para recordar que a terra “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Esta terra agora, está maltratada e saqueada e ouvem-se os gemidos dos abandonados do mundo. Neste sentido nos tempos atuais é necessário uma “conversão ecológica”, uma “mudança de rumo”, para que o homem assuma a responsabilidade de um compromisso para o cuidado da casa comum. Um compromisso para erradicar a miséria e promover a igualdade de acesso para todos aos recursos do planeta. Nesta palestra reflexiva se buscará uma inter-relação entre os temas da teologia e a ecologia, dentro da noção de que teologia se faz também em meio aos desafios do tempo presente.”

          Em suma, a segunda noite da IX Semana Acadêmica foi proveitosa, com boa participação e com apresentações bem elaboradas. Hoje tem mais um dia de reflexões sobre Ética e meio ambiente no Auditório Menor do Centro Pastoral Dom Fernando.

 

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Abertura da IX Semana Acadêmica

No dia 16 de outubro, segunda-feira, iniciou-se a IX semana acadêmica do curso de teologia da PUC-GO e do Instituto Santa Cruz. Na abertura, Dom Washington Cruz convidou a todos os presentes à aproveitarem o momento de aprendizado. O arcebispo recordou seu tempo de estudos como seminarista e salientou sobre a necessidade de o estudo ser frequente na vida das pessoas. “Não sabemos o que Deus previu para nós e por isso o estudo deve ser contante em nossas vidas.” A fala foi pronunciada após afirmar que teria estudado mais se soubesse que um dia seria bispo.

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Monsenhor Luiz Gonzaga Lôbo e Dom Washington Cruz

Logo após a abertura teve início a exposição de trabalhos acadêmicos e entre eles o do estudante do 3º ano de Filosofia Valdeir Gomes Neves com o tema: “o racionalismo científico”. Foi apresentada a primeira parte do trabalho monográfico no qual foram abordados os efeitos da revolução cientifica do século XVII. Em tal revolução a ciência tornou-se experimental, já que passa a ser demonstrada pela matemática, o que deu mais rigor à ciência. A mudança destacada é que antes a ciência era pautada em uma observação resignada, não havia controle dos dados obtidos e a validade dos elementos observados se dava mediante a lógica do discurso pelo qual eram expostos. Portanto, com a revolução cientifica, a validade dos elementos observados não está na lógica do discurso, mas na demonstração garantida pela descrição matemática do objeto observado.

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Estudante Valdeir Gomes Neves

A segunda apresentação ficou por conta do Pe. Eduardo Farias Morais que buscou abordar “O Mistério da Encarnação do Filho de Deus: Fundamentos teológicos e implicações pastorais”.

“A síntese se ocupa de apresentar uma visão orgânica dos grandes conteúdos apresentados e assimilados no curso de Teologia. A partir do tema, a Encarnação do Filho de Deus: fundamentos teológicos e implicações pastorais, é estabelecido um diálogo com alguns Tratados e conteúdos centrais da reflexão teológica. Partindo da Sagrada Escritura, evocando a Tradição, com os Padres da Igreja, bebendo da Doutrina elaborada nos Concílios e definições Magisteriais sobre o assunto, se chega a uma leitura prática. Tal percurso, longe de ser exaustivo, possibilita concluir que a Encarnação, enquanto conteúdo de reflexão e estudo, é um compêndio de toda a teologia. E que, com a encarnação de Jesus Cristo, tanto o homem quanto a criação recebem novamente seu significado original, o qual a Igreja tem a missão de salvaguardar.”

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Pe. Eduardo Farias Morais

Em seguida o Diácono Fábio Cardoso expôs seu trabalho com o tema: “Evangelizar: Missão da Igreja”.

“Esta síntese visa mostrar o que a Igreja fala sobre a evangelização. A Igreja é por essência missionária e os seus membros devem levar Cristo, experimentado na vida a todos os povos e culturas. Abordar-se-á sobre a urgência de uma ação evangelizadora querigmática e catequética catecumenal. O testemunho das primeiras comunidades deve impulsionar os batizados de hoje, alicerçados na fé da Igreja, levar Cristo aos homens e mulheres inseridos numa sociedade em mudança de época e em processo de neopaganização. Assim, precisam ouvir a voz da Igreja que clama como voz no deserto para abandonar as estruturas caducas e se construa uma Paróquia que se torne comunidade de comunidades, casa de irmãos. Para isto, fundamentar-se-á nos tratados teológicos, na Tradição, nas Sagradas Escrituras, no Magistério Eclesiástico e na História, lócus da manifestação de Deus na vida do homem.”

 

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Diácono Fábio Cardoso no momento da apresentação

 

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Me. Paulo Afonso Tavares

Uma das temáticas que chamou bastante a atenção dos participantes foi a do mestre em ciência da religião, Paulo Afonso Tavares, O Divino Pai Eterno Na Sociedade Em Vias De Midiatização: A Reconfiguração Das Práticas Religiosas Do Santuário Basílica De Trindade Pelo Dispositivo Midiático Televisivo. A pesquisa se propõe a analisar como as práticas religiosas (Missas e Novenas) do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno do município de Trindade no Estado de Goiás são reconfiguradas pelos dispositivos televisivos. Ao televisionar as práticas religiosas do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno de Trindade, o Campo Midiático impõe as suas próprias regras e gramáticas, resultando numa outra prática religiosa, a midiática. Ao analisar as práticas religiosas midiáticas do Santuário Basílica de Trindade identificamos que elas são constituídas por duas particularidades: o simulacro e a espetacularização, oriundas desse processo de construção da prática religiosa midiatizada, através do dispositivo tecno-simbólico orquestrado pelo cerimoniário midiático, a partir das práticas religiosas presenciais. Durante esse processo de construção, algumas modificações também acontecem no Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e nas práticas religiosas presenciais desta mesma igreja, por causa de suas transmissões pela TV. Essas modificações podem ser classificadas como concessões, uma vez que perpassam do Campo Religioso ao Campo Midiático Televisivo e se agrupam em duas ordens, temporalidade e espacialidade.

Uma das exposições que, assim como as outras, foi apreciada pelos participantes do primeiro dia da semana acadêmica foi a do Ir. Thiago Ferreira Silva, OSB (Acadêmico da PUC-GO e Religioso da Ordem de São Bento),  que teve por temática  “A Face Fundamentalista do Catolicismo”.  Segue um breve resumo do trabalho apresentado: “Durante esta breve reflexão propomos dar algumas notícias mesmo que breves sobre o cenário atual da Igreja de forma específica a forte tendência ultra tradicionalista da juventude católica. Sabe-se do enorme desafio em construir um modelo de Igreja tolerante onde a cultura de paz entre seus membros e com a sociedade deve ser tida como valor. Segundo Teixeira (2002, p.2) nenhuma religião está livre das disfunções institucionais, dos enrijecimentos particularistas e insulamentos dogmáticos. Ele completa que muitos conflitos e violências provocados pelas religiões são decorrência de uma forma peculiar de testemunhar a verdade. A história da Igreja atual está sendo escrita com fatos que demonstram esse perene conflito permeado de saudosismo e atualização, recuperação e criação. Esse saudosismo gera falsas expectativas por sabermos da impossibilidade de volta ao passado ou ainda de sonhar com um futuro totalmente atualizado e desvinculado deste passado. Diante deste impasse o que resta sem dúvida é a possibilidade de conciliação. A Igreja é maior que qualquer desejo ou nostalgia. A identidade eclesial é forjada no pluralismo e na diversidade de dons e carismas, porém, sempre existirá um mínimo de identidade. Ela atravessa a história e sempre sobreviverá ao tempo e por esse motivo propõe vislumbrarmos novos horizontes sem nunca perder de vista o foco: Jesus Cristo.”

 

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Ir. Thiago Ferreira Silva

 

As apresentações foram encerradas com o trabalho monográfico do Diácono Pedro Mendonça Curado Fleury que teve por temática os Fundamentos da ação apostólica: um estudo sobre a “parresia” paulina.

De acordo com Pedro, “na literatura paulina encontra-se um termo grego muito repetido, “parresía”, cujo sentido é “ousadia”, “sinceridade”, “franqueza”. Este termo marca a atitude do apóstolo diante do público a quem anunciava o evangelho, presente sobre tudo em situações-limite, de perseguição e de perigo à sua integridade física. As passagens em que ocorre são de grande inspiração para os discípulos-missionários de Jesus Cristo em nosso tempo. É preciso, contudo, encontrar o fundamento desta atitude, para que não se torne somente um exemplo distante, mas verdadeiro impulso à Nova Evangelização. A análise de três textos, Cl 2,15, 2Cor 3,12 e Ef 3,12, permite ver que é no evento salvífico de Cristo e nos seus efeitos na vida dos que se inserem na obediência da fé, sobretudo a nova situação existencial diante do próprio Deus, por meio de Cristo, que se deve buscar a fone da ousadia cristã.”

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Diácono Pedro Mendonça Curado Fleury

A primeira noite da semana acadêmica foi encerrada com a benção dada pelo pe. Dilmo Franco.