Publicado em Ano da Fé, Filosofia, Filosofia Contemporânea, Filosofia Moderna

Café Filosófico – “O Homem: quem é ele?”

Café Filosófico 26 abril 2013

Quem é o homem? Sob que aspectos podemos compreendê-lo? Em tempos de tantas mudanças de parâmetros e valores, procuraremos entender estas e outras perguntas em torno do homem por meio de três autores significativos: dois marcaram a história da filosofia como um todo, uma é ainda desconhecida, mas também de grande peso, seja por sua tragetória, seja por sua síntese entre fenomenologia e ontologia.

Mas o que é um café filosófico? Uma conversa em ambiente amigável sobre um tema filosófico … uma conversa (não uma palestra) com linguagem acessível, mas sem que se perca o conteúdo. Mais do que porcurar chegar a um ponto em comum, nele procura-se compreender melhor as distinções e vislumbrar pontos de contato. Este é o nosso objetivo: conhecer melhor o tema do homem a partir de visões tão distintas e exercitar nossa capacidade de diálogo.

Para quem ficou curioso, vai uma breve apresentação dos nossos companheiros deste café:

Immanuel Kant, filósofo de significado ímpar, fixou os limites da subjetividade e do conhecimento válido para a ciência. Grande marco da crise da metafísica clássica, construiu, contudo, um sistema ético consistente que, no dizer de alguns, “salvou a própria metafísica”.

Friedric Nietzsche, grande filósofo da contemporaneidade, irônico e combativo, procurou radicalizar Kant contra ele próprio, levando suas conclusões do campo do conhecimento para o campo moral. Combateu tanto a metafísica e o cristianismo (o cristianismo que ele conheceu, ou ainda, a ideia que fez dele) quanto o niilismo, apostando em uma moral que valorizasse a vida.

Edith Stein: judia, filósofa, ateia, cristã, religiosa. Esta discípula de Edmund Husserl foi uma das primeiras mulheres a obter o Doutorado em Filosofia na Alemanha, professora em Speyer e em Münster, mas teve sua carreira universitária  abortada pela perseguição anti-seminta, em 1933. No mesmo ano tornou-se religiosa carmelita e, em 1942, morreu no campo de Auschwitz. Foi declarada mártir e santa por João Paulo II.

Contamos com sua presença!

PS: Participação e certificado de 3h extracurriculares gratuitos.

Localização: http://www.facebook.com/pages/Instituto-de-FIlosofia-e-Teologia-Santa-Cruz/199072460123078?fref=ts

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Notícia sobre o Minicurso

Alunos e professores assitem fala do Prof. Fabio FerreiraNos dias 16 e 17/04, iniciou-se a JORNADA FILOSÓFICA 2013 do Instituto Santa Cruz com o Minicurso “As bases filosóficas do relativismo”, ministrado pelos professores Dr. Adriano Correia (UFG), no dia 16, e Dr. Fábio Ferreira (UFG), no dia 17.

O relativismo, tema recorrente em nossa época, foi abordado pelos professores sob duas perspectivas diferentes. O professor Dr. Adriano discorreu sobre “A dificuldade de pensar uma verdade absoluta na filosofia pós-kantiana (Kant, Nietzsche, Heidegger)”, ressaltando os aspectos do pensamento desses filósofos que demonstram tal dificuldade. O professor Dr. Fábio, por sua vez, falou acerca de “As bases filosóficas do relativismo na ciência”, trabalhando com a hipótese de que não há, na ciência, bases filosóficas do relativismo, a partir de sua análise do pensamento de Immanuel Kant e Gaston Bachelard.

Foi o Minicurso uma oportunidade ímpar para que os acadêmicos do Instituto Santa Cruz abrangêssemos os horizontes do conhecimento, ao pensar sobre uma temática tão conflituosa e desafiadora como o relativismo. Sendo meta primeira da filosofia pensar a verdade, é muito oportuno refletir ainda mais sobre os obstáculos e limites que se impõem a esta empreita.

Certamente o Minicurso, assim como todos os eventos da Jornada Filosófica 2013 que ocorrerão, acrescentam muito à nossa bagagem intelectual, que será sempre mínima em relação à grandiosa e variada possibilidade do conhecimento.
Enfim, ansiosos e abertos aos demais encontros que se concretizarão nesta Jornada Filosófica 2013, os acadêmicos do Instituto Santa Cruz esperamos ter maiores condições de dialogar com o mundo moderno, tão diversificado em pontos de vista, para assim colaborarmos com a construção do conhecimento, que deve conduzir todos os homens à paz, harmonia e conservação do mundo e, logo, da humanidade inteira.

Adelso J. Guimarães
Seminarista da Diocese de São Luís de Montes Belos, no 3º ano de Filosofia

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O homem na visão da antropologica teológica

De acorimages (12)do com o Papa João Paulo II, “o homem é a primeira e fundamental via da Igreja, via traçada pelo próprio Cristo e via que imutavelmente conduz através do mistério da encarnação e da redenção”[1]. Ao falar do homem nessa perspectiva, queremos abordá-lo na sua relação com o Deus Uno e Trino revelado em Jesus Cristo. Pois o homem só sabe o que ele é por meio da luz de Jesus Cristo, o revelador de Deus. Mas, porque afirmamos que o homem só conhece a si se for iluminado por Cristo? O Concílio Vaticano II diz que “o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado. Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação”[2]. Ao se revelar, Cristo tinha um grande destinatário: o homem, ele é o objeto dessa revelação. A verdade revelada é verdade de salvação e é por isso que nos diz quem é o homem, fazendo-nos conhecer sua vocação.

A relação do homem com Deus é a dimensão última e mais profunda de seu ser, a única que nos dá a medida exata do que somos, ou seja, somos a “única criatura da terra que Deus quis por si mesma”[3]; no mais profundo de seu ser para ser chamado à comunhão de vida com Ele. Conforme Ladaria [4], essa relação com Deus, sempre é mediada por Cristo que se revela a nós e que também nos possibilita conhecermos a nós mesmos. Segundo o autor, para ter uma visão completa do homem no que diz respeito o ponto de vista da fé cristã é preciso distinguir os aspectos fundamentais de nossa referência a Deus. Para tanto, ele elenca três[5]: a criação, o pecado e a graça.

A dimensão mais específica da antropologia teológica é a relação de amor e de paternidade que Deus quer estabelecer com todos os homens através de seu filho Jesus Cristo. Deus cria o homem e dá a ele a graça de ser chamado à filiação divina por meio do Espírito, condição essa que só era de Jesus, e que agora é aberta a todos os homens, nisso consiste a vocação definitiva de cada homem.

O chamado à graça pressupõe nossa existência como criaturas livres. Porém a razão de nossa existência não está em nós. Se existimos é porque Deus quis, foi por sua bondade, em sua liberdade nos criou para chamar-nos à comunhão com Ele. É necessário termos compreensão dessa realidade para que possamos atingir o nosso fim. Mas porque se faz necessário falar da criação se a mesma parece ser tão óbvia na teologia? Ao falarmos da criação do homem, queremos enfocar a nova criação realizada em Cristo. O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus por meio de Cristo e o mesmo caminha para Ele. A questão da criação é um fator determinante e fundante no que diz respeito ao homem, esse fator determina sua própria consistência enquanto ser que foi criado para comunhão pessoal com Deus.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “na criação do mundo e dos homens, Deus colocou o primeiro e universal testemunho de seu amor todo poderoso e de sua sabedoria, o primeiro anúncio de seu desígnio benevolente, o qual encontra sua meta na nova criação em Cristo”[6]. Só Deus tem esse poder para criar do nada “ex nihilo”, nenhuma de suas criaturas tem esse poder infinito para criar, para chamar à existência aquilo que ainda não existe. Mas, qual seria o objetivo de Deus ao criar o mundo e especialmente o homem? A Igreja nos ensina que Deus criou todo o mundo livremente para manifestar e comunicar a sua glória, ao participar de sua verdade, bondade e beleza a criação desfruta da glória para qual foi criada. Glória essa que é sinal de doação, aqui se encontra o ponto alto no que diz respeito ao homem, porque é nessa manifestação e autodoação que estão exatamente a sua salvação e sua plenitude. Deus criou e continua mantendo o universo por meio de seu Filho e do Espírito Santo que dá vida; o seu poder está em “manifestar-se em Cristo, para poder comunicar seus benefícios e comunicar-se a si mesmo, e com isso obter a plenitude da criatura. Essa plenitude é Deus mesmo, porque apenas em Deus o mundo e, sobretudo o homem alcançam seu fim último”[7].

“Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, a imagem de Deus o criou”[8].  Esse versículo do Gênesis nos leva a refletir que o homem ocupa um lugar de destaque na criação, pois é “imagem de Deus”, unindo em sua natureza o mundo espiritual e material (corpore et anima unus). Além disso, foi constituído em uma profunda amizade com seu Criador, em harmonia consigo mesmo e com a criação, realidade tão grandiosa que só foi superada pela glória da nova criação em Cristo Jesus.

O Concílio Vaticano II afirma que de acordo com a “Sagrada Escritura o homem foi criado a imagem de Deus, pois só ele é capaz de conhecer e amar seu Criador, que o constituiu senhor de todas as coisas terrenas, para que as usasse, glorificando a Deus”[9]. Essa colocação do Concílio nos trás a resposta da grande indagação do salmista sobre a grandeza humana em sua fragilidade, mistério e paradoxo. “Que é o homem para dele vos lembrardes com tanto carinho?”[10]. O homem não tem outro fim a não ser compartilhar por meio do conhecimento e pelo amor a vida de Deus. Por isso ele é “imagem de Deus”, ser livre, dotado de dignidade, indivíduo humano, “capaz de conhecer-se, possuir-se e doar-se livremente para viver na comunhão com as outras pessoas e com seu Criador”[11], nisso consiste sua realização pessoal e felicidade.

Esse homem criado a imagem e semelhança de Deus chamado à comunhão optou por viver sob o signo do pecado, da infidelidade a Deus, a si e aos outros; o mal uso de sua liberdade resultou nisso. De acordo com Ladaria, o amor de Deus que nos criou e quer fazer de nós seus filhos não encontrou no homem uma resposta de acolhida, mas desde o princípio encontrou indiferença e até rejeição.

O Catecismo da Igreja Católica confirma essa premissa afirmando:

Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. E o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, “pois, no dia em que dela comeres, terás de morrer” (Gn 2,17). “A árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2,l7) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança. O homem depende do Criador, está  submetido às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade.[12]

Nessa perspectiva do pecado devemos trazer a tona um elemento antropológico de fundamental importância: a liberdade. Sabemos que o grande distintivo de Deus no homem é a liberdade, isto é, sua semelhança. O Decreto Conciliar Gaudium et Spes afirma que “a liberdade verdadeira é um sinal privilegiado da imagem divina no homem. Pois Deus quis deixar o homem entregue à sua própria decisão, para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e beatífica perfeição, aderindo a Ele”[13]. Porque se faz necessário falar da liberdade  em relação ao pecado? Porque o pecado consiste no mau uso da liberdade que resultou no rompimento da relação harmônica que o homem tinha com seu Criador, criatura e criação. Sabemos que Deus criou o homem em estado de santidade e justiça, mas seduzido pela “serpente”, que o enganou apresentando o “fruto” como bom e belo, dando a oportunidade de “ser como Deus”, o homem abusa de sua liberdade se levanta contra Deus com o desejo de atingir seu fim fora Dele. O homem preferiu a si mesmo, renunciou a Deus, contrariou seu estado de criatura e de seu próprio bem. Esse ato resultou no que chamamos de pecado original, pecado esse que feriu fortemente a relação e “diminuiu o próprio homem impedindo-o de conseguir a plenitude”[14].

O casal protótipo desse drama é Adão e Eva, agora poderíamos questionar como o pecado desse casal pode chegar até nós nos dias de hoje? Quando a Sagrada Escritura usa essa linguagem figurada apresentando Adão e Eva, ela está querendo representar por meio deles a unidade do gênero humano e não somente duas pessoas individuais. A Revelação nos ensina que Adão havia recebido a graça da santidade e justiça que deveria perpassar toda a humanidade, porém o mesmo renunciou a esse estado e optou pelo pecado, como aqui se fala da unidade do gênero humano todos receberam esse “presente de grego”[15]. A transmissão desse pecado é um mistério que não conseguimos compreender plenamente. Mas um elemento nos ajuda entendê-lo parcialmente. O ser humano é um ser de relação, logo o pecado pessoal que afetou a natureza humana foi transmitido a todos em um estado decaído, como afirma o Concílio de Trento. Para isso o Catecismo explica: “é um pecado que  será  transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado pecado de maneira analógica: é um pecado contraído e não cometido, um estado e não um ato”[16].

Mas, diante dessa realidade opaca do pecado continuamos percebendo a ação de Deus, que ama sua criatura e que não a abandona a mercê do inimigo. João Paulo II diz que na economia da salvação “o pecado não é o protagonista nem, menos ainda, o vencedor”[17]: só somos capazes de entendê-lo pela luz da plena Revelação que acontece em Cristo Jesus. De acordo com o papa, o próprio Cristo é o mistério da piedade que venceu o mistério da iniquidade; por meio de sua Páscoa nos livrou da culpa que nos oprimia, nos dando novamente a condição de vivermos a filiação divina. Esse mistério “é o caminho aberto pela misericórdia divina à vida reconciliada”[18]. A misericórdia de Deus Pai é abundante e foi derramada sobre nós com profusão; “é um amor mais poderoso que o pecado, mais forte do que a morte”[19].

São Paulo nos ensina que “pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores. Assim pela obediência de um só (Cristo) todos se tornarão justos”[20]. A vitória que Cristo nos concedeu sobre o pecado foi muito grande, ela nos deu bens muito maiores do que aquilo que o pecado tinha nos tirado, pois “onde abundou o pecado, a graça superabundou”[21]. E é por isso que na noite de Páscoa podemos cantar “verdadeiramente era necessário o pecado de Adão, que foi destruído com a morte de Cristo. Feliz culpa, que mereceu um tão grande redentor!”

De acordo com São Paulo a graça pode significar o próprio Cristo, então estar na graça é estar em Cristo. Isso evidencia a gratuidade do amor divino que torna possível a verdadeira liberdade. Diante dessa realidade da graça o homem pode ser tornar forte em sua fraqueza. Jesus nos dá essa graça e nos redime do nosso pecado, nos incorporando a Si. Portanto, a grande graça está no evento salvífico de Cristo e na nossa livre adesão a ela, essa graça não é destinada somente para alguns, mas para todos, afirma Ladaria.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, através da fé e do batismo nós nos unimos a Paixão e Ressurreição de Cristo e com isso o Espírito nos concede participar de sua vida, portanto, a graça do Espírito nos dá a justiça de Deus que foi perdida pelo pecado. Essa justificação se dá por meio da conversão do homem que se volta para seu Criador novamente, afastando-se do seu pecado; com isso ele acolhe o perdão e a justiça que vem de Deus. Então, podemos perguntar em que consiste a justificação? A Igreja nos ensina que a justificação que acontece pela graça consiste na remissão dos pecados, na santificação e renovação do homem interior. Pelo batismo partipamos da Paixão-Ressurreição de Cristo, assim somos justificados para que voltemos aquele princípio no qual fomos criados: a glória de Deus, de Cristo e o dom da vida eterna. Essa graça só pode ser concedida por um Deus que é totalmente misericordioso. Por isso, a graça consiste no auxílio oferecido por Deus ao homem para responder a sua vocação de ser filho no Filho, introduzindo-o no mistério da intimidade Trinitária.  Essa iniciativa divina da graça, precede, prepara e suscita a livre decisão do homem, ele deve responder livremente a esse chamado de amor, pois a graça responde diretamente às suas profundas aspirações de liberdade humana, chamando-o à cooperação e à perfeição.

O homem que possui a semente da eternidade em si, portanto, é convocado a transcender seu limite e voltar aquele estado original de perfeita harmonia. A graça santificante que o homem recebe não é por mérito próprio, mas dom gratuito, onde Deus infunde sua vida nele por meio do Espírito Santo para curá-lo do pecado e santificá-lo. O único mérito do homem é seguir seu livre desígnio de associar-se à obra da graça. “O mérito pertence à graça de Deus em primeiro lugar, à cola­boração do homem em segundo lugar. Cabe a Deus o mérito humano”[22]. A fonte principal do mérito diante de Deus é a caridade, e o grande apelo para que o homem atinja a plenitude da vida cristã é a perfeição dessa caridade, pois como nos diz o catecismo “A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada”[23].

Maximiliano Gonçalves da Costa[1]


[1] – Graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Graduado em Filosofia pelo Instituto Santa Cruz e Graduando em Teologia pelo Instituto Santa Cruz.

REFERÊNCIAS


[1] – JOÃO PAULO II, Carta Encíclica Redemptor Hominis, n. 14. 1979.

[2] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n. 22.

[3] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n. 24.

[4]– LADARIA, Luis F. Introdução à Antropologia Teológica. Ed. Loyola. São Paulo, 1998.

[5] – Esses aspectos são divididos por metodologia, porque ambos estão unidos na pessoa que é una.

[6] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.315.

[7] – LADARIA, Luis F. Introdução à Antropologia Teológica. Ed. Loyola. São Paulo, 1998. p. 43-44.

[8] – Gn. 1,27.

[9]– CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n.12.

[10] – Sl. 8,5.

[11] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.357.

[12] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.396.

[13] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n.17.

[14] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n.13.

[15] – Burla, surpresa ruim inesperada, cilada.  A expressão, que significa dádiva ou oferta que traz prejuízo ou aborrecimento a quem a recebe. A expressão adveio da narrativa do cavalo de Tróia, na obra Eneida, de Vergílio.

[16] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.404.

[17] – JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Pós Sinodal Reconciliatio et Paenitentia. 1984. n.19.

[18] – JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Pós Sinodal Reconciliatio et Paenitentia. 1984. n.22.

[19] – JOÃO PAULO II. Encíclica Dives in Misericordia. 1980. n.8.

[20] – Rm. 5,19.

[21] – Rm. 5,20.

[22] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.2025.

[23] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.2028.

 

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O HOMEM É CAPAZ DE DEUS (II) – SÍNTESE DOS §§ 26-35 DO CIC

E “Deus vem ao encontro do homem” (2º cap.). Abordaremos os parágrafos 27- 73. Iremos até o 1º artigo do 2º capítulo. O 2º e 3º artigo (transmissão da fé e a Sagrada Escritura).

III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja: A Santa Igreja atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas. Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade porque foi criado à imagem de Deus (Gn 1, 27).

IV. Como falar de Deus? Dado que o nosso conhecimento de Deus é limitado, a nossa linguagem, ao falar de Deus, também o é. Não podemos falar de Deus senão a partir das criaturas e segundo o nosso modo humano limitado de conhecer e de pensar. Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) refletem, pois, a perfeição infinita de Deus. Daí que possamos falar de Deus a partir das perfeições das suas criaturas: porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor (Sb 13, 5). Pois, Deus transcende toda a criatura. Devemos, portanto, purificar incessantemente a nossa linguagem no que ela tem de limitado, de ilusório, de imperfeito, para não confundir o Deus inefável, incompreensível, invisível, impalpável com as nossas representações humanas. As nossas palavras humanas ficam sempre aquém do mistério de Deus. Devemos lembrar-nos de que, entre o Criador e a criatura, não é possível notar uma semelhança sem que a dessemelhança seja ainda maior, e de que não nos é possível apreender de Deus o que Ele é, senão apenas o que Ele não é, e como se situam os outros seres em relação a Ele.

Deus vem ao Encontro do Homem: Pela razão natural, o homem pode conhecer Deus com certeza, a partir das suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento, que o homem de modo nenhum pode atingir por suas próprias forças: a da Revelação divina. Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-Se e dá-Se ao homem. E faz revelando o seu mistério, o desígnio benevolente que, desde toda a eternidade, estabeleceu em Cristo, em favor de todos os homens. Revela plenamente o seu desígnio, enviando o seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo.

Diac. Ueslei Vaz Aredes[1]


[1] Seminarista da Diocese de Itumbiara, no 4º ano de Teologia no IFTSC.

Publicado em Ano da Fé, Catecismo da Igreja Católica, Magistério da Igreja

O HOMEM É CAPAZ DE DEUS (I) – SÍNTESE DOS §§ 26-35 DO CIC

PRIMEIRA PARTE – A PROFISSÃO DA FÉ

Daremos mais um passo, uma pequena abordagem, no nosso CIC. Desta vez adentraremos na profissão de fé: primeira seção, a saber, “O homem é capaz de Deus” (1º cap.), abordando os parágrafos 26 a 35. No próximo passo, semana que vem, abordaremos a segunda parte deste primeiro capítulo, com os parágrafos 36 a 49.

 

PRIMEIRA SEÇÃO – “EU CREIO”, “NÓS CREMOS” (§26)

Quando professamos a nossa fé, dizemos: Creio ou Cremos. Pois, a fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida.

 

CAPÍTULO PRIMEIRO – O HOMEM É CAPAZ DE DEUS

I. O desejo de Deus (§§27-30)

O homem é, por natureza e vocação, um ser religioso. Vindo de Deus e caminhando para Deus, o homem não vive uma vida plenamente humana senão na medida em que livremente viver a sua relação com Deus. O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso. Pois, de muitos modos, na sua história e até hoje, os homens exprimiram a sua busca de Deus em crenças e comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações, etc). Em suma, podemos chamar ao homem um ser religioso: mas esta relação íntima e vital que une o homem a Deus pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas: a revolta contra o mal existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações do mundo e das riquezas, o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de Deus e foge quando Ele o chama. Porém, se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a retidão da sua vontade, um coração reto, e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus.

II. Os caminhos de acesso ao conhecimento de Deus (§§31-35)

Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura Deus descobre certos caminhos de acesso ao conhecimento de Deus. Estes caminhos para atingir Deus têm como ponto de partida criação: o mundo material e a pessoa humana. São:

O mundo: a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode-se chegar ao conhecimento de Deus como origem e fim do universo.

O homem: com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o homem interroga-se sobre a existência de Deus. Nestas aberturas, ele detecta sinais da sua alma espiritual. Gérmen de eternidade que traz em si mesmo, irredutível à simples matéria, a sua alma só em Deus pode ter origem.

O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos, nem o seu primeiro princípio, nem o seu fim último, mas que participam do Ser-em-si, sem princípio nem fim. Assim, por estes diversos caminhos, o homem pode ter acesso ao conhecimento da existência duma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, e a que todos chamam Deus.

Diac. Ueslei Vaz Aredes[1]


[1] Seminarista da Diocese de Itumbiara, no 4º ano de Teologia no IFTSC.