Publicado em Antropologia Filosófica

Na Cruz de Cristo

Cruz-de-Cristo

Foto: Canção Nova

Muitas vezes, em nossa caminhada, não reconhecemos Cristo como nosso salvador, o qual entregou sua vida na Cruz para nos salvar e nos trazer a paz. Na Cruz de Cristo, se encontram todas as respostas dos nossos questionamentos, pois na Cruz, Cristo deu sua resposta definitiva em favor da humanidade.

O amor de Cristo para conosco é tão grande que não tem como ser medido, somente vivenciado. Na Cruz, Cristo nos mostra que não estamos sós na caminhada por mais difícil que seja; pelo contrário, Ele está sempre fiel e presente junto a nós, e que basta somente a confiança Nele. Na Cruz, Cristo doou seu grande amor e também nos deixa claro, que nem as dificuldades devem nos fazer desistir, e sim nos revelam que somos pessoas capazes de vencer.

Assim, Cristo nos ensina que é nos momentos agitados e turbulentos que encontraremos o verdadeiro sentido do calvário pelo qual Ele passou. E nos dá a certeza ,de que, mesmo diante de toda ventania e ondas fortes pelas quais passamos, no final, a vitória é certa; pois Ele está sempre a nossa frente conduzindo os nossos passos e, se não conseguimos, Ele nos leva nos braços.

 

Por Uellinthon Rabelo de Oliveira.

Seminarista da diocese de Jataí, 2° Ano de Filosofia.

Anúncios
Publicado em Antropologia, Antropologia Filosófica

CONSIDERAÇÕES ACERCA DO FUNDAMENTO DO VALOR E DA DIGNIDADE DO SER HUMANO

A palestra apresentada pelo padre Edmar José da Silva, mestre em filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana e membro do clero da Arquidiocese de Mariana, foi sobre o seguinte tema: “Considerações acerca do fundamento do valor e da dignidade do ser humano”.

Segundo o conferencista, o Concílio Ecumênico Vaticano II é totalmente embasado através de uma antropologia, mas esta possui um cunho teológico, o que não limita uma reflexão filosófica acerca da dignidade apresentada por tal concílio.

Atualmente, o tema dignidade do ser humano é algo totalmente invocado e evocado por vários segmentos de reflexões, mas existe uma pergunta: o que vem a ser tal dignidade? Tal resposta pode vir sobre os vários aspectos reflexivos, como a filosofia, a economia, o direito, dentre outras. Mas, para tal reflexão acerca da dignidade do ser humano, se usará a reflexão filosófica para bem definir o tema. Primeiramente, se usará o filosofo dominicano Santo Tomás de Aquino para nos auxiliar e, após isto, usaremos o personalismo de Emmanuel Mounier para nos conceder elementos contemporâneos para a fundamentação de Santo Tomás de Aquino.

1 – Origens do conceito de pessoa

Padre Edmar bem acentuou o tema, dizendo que a discussão acerca da dignidade humana se situa como um problema de fronteira, na qual pode ser amplamente discutido entre a antropologia e a ética. Primeiramente, se deve fazer a seguinte pergunta: “O que é o homem?” Colocou-nos nos primórdios das artes cênicas, na qual surgiu o termo persona. Tal retorno às artes cênicas nos remonta dois termos: Identidade e comunicação.

O primeiro princípio é o de identidade, na qual nos remontamos aos teatros gregos, cujos artistas usavam máscaras (intituladas prosopon), que comunicavam os sentimentos do ator. O segundo possui o termo de comunicação, na qual o ator, através de sua máscara, representava uma expressão que comunicava algo a mais do que o aspecto anterior, tal termo era designdado pelos latinos como personare. Esta última designa uma relação, ou seja, para se ter uma comunicação, é necessário alguém que comunique e alguém e que este receba a mensagem, formando assim uma relação. E logo após, o termo persona fora sempre presente nas discussões cristológicas e trinitárias.

Segundo alguns historiadores, o primeiro pensador a mencionar o conceito “pessoa” em relação ao homem foi Santo Agostinho. Tal fato demonstra que o termo pessoa possui um aspecto cristão. Padre Edmar ponderou que, na antropologia o conceito de pessoa é usado de forma análoga.

2 – O conceito de pessoa para Santo Tomás de Aquino.

Para a definição aquiniana de pessoa, primeiro é necessário passar por Boécio, pois é nele que Santo Tomás de Aquino se embasou para dissertar sobre assunto.

Primeiramente, Santo Tomás de Aquino diz que a pessoa é substância. Ou seja, Santo Tomás afirma que a pessoa pertence a ela mesma, e isto além de ser metafísico também é uma consequência ética, pois pessoa tem valor em si mesmo, é uma substância primeira.

Segundo, Santo Tomás classifica como indivíduo, ou seja ele é idêntico a si mesmo e diferente dos outros, e esta conceitualização serve para todo ente. Isto significa de que todas as pessoas são insubstituíveis. Existe também a incomunicabilidade do ser, ou seja, um ser é impossível ser outro, este apenas assume algumas características, mas não asssume o outro ser totalmente.

Santo Tomás de Aquino chama atenção para a singularidade e para a individualidade de cada homem. Estes, por sua vez, distinguem-se de todas as outras coisas devido a sua capacidade de raciocínio. Mas padre Edmar utiliza a palavra reflexão, para ir além da capacidade de raciocinar.

Para Santo Tomás de Aquino, a característica que o ser humano possui de raciocinar está totalmente vinculada com a liberdade, pois o ato de raciocinar confere liberdade plena ao ser humano.

No campo da naturalidade e da cultura, segundo padre Edmar, não existe dicotomia entre ambos, pois o homem pertence tanto à natureza quanto a cultura, sem um prevalecer sobre o outro.

Outro termo acrescentado ao ser humano é a dignidade. Segundo Santo Tomás de Aquino, esta é uma constituição do ser humano. Esta dignidade no ser humano é algo de caráter indelével, ou seja, que não se pode retirar. Assim, podemos afirmar que ela é totalmente intrínseca ao ser.

3 – O personalismo de Emmanuel Mounier

Padre Edmar pontuou que em Emmanuel Mounier existe uma estrutura pessoal em dois momentos:

1º Pessoa é conversão íntima, ou seja, o ser humano tem um recolhimento, um domínio de si. Em Santo Tomás de Aquino, esta dimensão é a identidade.

2º A pessoa possui pudor: segundo Emmanuel Mounier, as pessoas espalhafatosas estão sempre fora de si, ou seja, elas possuem uma certa ausência de reflexão acerca de si (afrontamento). Padre Edmar pontuou que o ser humano, neste pensador, é comunicação, e esta comunicação é sempre um risco, mas para o pensador este risco é extremamente importante.

Mounier menciona que sua época é a época do despersonalismo, pois, de um lado, se tem o capitalismo e, de outro, o comunismo. O capitalismo é extremamente individualista, ou seja, o ser humano permanece fechado para o outro. Já no socialismo o grupo é mais vital do que a pessoa humana, ou seja, tudo em favor do grupo; se algum ser humano for contra o grupo este deve ser destruído em prol da vida da sociedade.

Padre Edmar também mencionou outro termo presente na filosofia de Emmanuel Mounier: O despojamento de si – a abertura ao outro. O conferencista também fez uma reflexão de que nossa cultura esta em uma via oposta ao despojamento.

Padre Edmar conclui que estamos imersos no despersonalismo e, conhecendo estes valores reais do ser humano, devemos colocá-los em prática na nossa cultura para transformá-la em uma cultura personalista, na qual se busca um resgate do próprio ser humano.

Evaldo Antônio Bueno Gonçalves[1]


[1] Seminarista da Arquidiocese de Goiânia, no 2º ano de Filosofia no IFTSC.

Publicado em Antropologia, Antropologia Filosófica, Monografias Teológicas

A relação entre a consciência e a experiência humana na questão antropológica de Karol Wojtyla

O Cardeal Wojyla em férias.

Karol Wojtyla busca definir o ser humano seguindo um fundamento: pessoa humana. Neste trabalho será demonstrado como essa pessoa se revela e como ela mesma se compreende. Será constatado também que a compreensão do homem como pessoa acontecerá por meio de seus atos.

Por esse motivo, percebe-se que fundamentalmente é necessário contar com dois princípios essenciais a ele: a experiência e a consciência humana, a fim de que o ato possa ser contado como elemento central na compreensão da pessoa.

Para Wojtyla, conceber o homem como pessoa, é dar sentido existencial a ele. A partir da experiência e da consciência, a pessoa terá por si o aspecto de destaque entre os demais seres, e, apesar disso, não o tornará isolado da relação com o mundo, da relação de vivência com os demais seres, com outros homens e dele com ele mesmo.

Haverá, portanto, nestas relações referidas, uma ação de experiências próprias (experiência humana). Desta relação também o homem tem acesso à sua interioridade (consciência), por meio da qual permite com que ele dê um significado e sentido determinado ao meio em que ele vive, ao modo de poder pensar sobre os valores morais e também na vivência do mandamento do amor.

A pessoa humana, possui uma interioridade e uma espiritualidade, se destaca e se difere dos demais seres existentes. Assim, Wojtyla afirmou que a ela é conhecida e também se conhece por meio de seus atos. Por causa dessa afirmação, é possível constatar que Wojtyla não desconhece a importância da análise psicológica e nem mesmo o aspecto do pensamento determinista empírico, pelo fato de ambos terem como eixo de análise os atos. Wojtyla não os ignora, mas supera algumas características deterministas, isso por causa da análise da relação entre a consciência e a experiência do ato.

A filosofia de Karol Wojtyla contribui para aproximar a perspectiva objetivista e subjetivista presente respectivamente na filosofia do ser e na filosofia da consciência, pois o estudo da pessoa em ação, para ele, mantém um estado de ser que abarca estas duas perspectivas, ou seja, um estado de ser que é concomitantemente sujeito e objeto. Assim, também a pessoa humana terá capacidade de atuar no mundo objetivo e na realidade transcendente.

Mas seu esforço não se interrompe no conhecimento da pessoa por meio de seus atos, pois Wojtyla, com o estudo da pessoa em ação, vai além. Isto é, a antropologia personalista de Karol Wojtyla alcança o seu ápice no amor, pois será somente por meio da experiência deste, que o ser humano conseguirá se perceber e, por consequência, se compreender como pessoa humana. Será também por meio do amor que essa pessoa terá acesso a uma comunidade autenticamente humana.

É, por fim, na dimensão emocional que o homem poderá ter a verdade no âmbito moral; e, se esta verdade não estiver em interação com a razão, o homem não conseguirá fazer um juízo de valores.[1]

Arpuim Aguiar Araújo[2]

Palavras-chave: Pessoa humana, ato, experiência humana, consciência, amor

Confiram a íntegra do TCC:A relacao entre a experiência humana e a consciência na questão antropológica de Karol Wojtyla

Elementos pré-textuais


[1] Excerto do TCC apresentado no dia 02 de dezembro de 2011 como requisito parcial para conclusão no Curso de Filosofia.

[2] Seminarista da Arquidiocese de Goiânia, no 1º ano de Teologia.

Publicado em Antropologia, Antropologia Filosófica, Filosofia, Metafísica, Opinião, Tomás de Aquino

A defesa da vida nos pressupostos da metafísica e da antropologia cristã

 

 

 

Hoje postamos a íntegra da Aula Inaugural proferida por Dom Adair José Guimarães, Bispo de Rubiataba-Mozarlândia, no auditório do Instituto na última sexta-feira, a título de abertura do ano acadêmico 2012. Antes da referida aula, o Sr. Bispo presidiu a Solene Eucaristia em ação de graças pelo período que se inicia, na qual se deu ainda a profissão de fé e compromisso de fidelidade dos novos professores.

Em seu discurso, intitulado “A defesa da vida nos pressupostos da metafísica e da antropologia cristã”, Dom Adair expôs a necessidade de se ter a filosofia cristã como paradigma de pensamento, especialmente em um Instituto Católico. A metafísica aristotélico-tomista é caminho seguro à verdade e caminho certo para se construir uma autêntica “cultura da vida”.

Dom Adair criticou duramente o relativismo cultural e teórico, que se distanciam da visão rica acerca do homem, própria da ontologia tomista, oriunda da compreensão objetiva de Deus. “A defesa da vida humana, bem como a defesa da vida do planeta precisam ter como fundamento a verdade (…) que é Deus”, afirmou com veemência.

Questões palpitantes, como as drogas, a compulsão sexual e a preservação do meio ambiente – do Cerrado, inclusive –, abordadas pelo Bispo, encontram na antropologia cristã, fundada na metafísica aristotélico-tomista, resposta segura.

 

Confiram a íntegra do texto: A defesa da vida nos pressupostos da metafísica e da antropologia cristã

Publicado em Antropologia Filosófica, Apresentação, Filosofia

Boas Vindas!

Toda a civilização ocidental, nossa cultura e nossa forma de pensar tem sua origem no espanto, no amor e na aspiração pela sabedoria. Este espanto se deteve por séculos na questão do ser, pela noção de que havia (ou não havia… ?) um ser superior que englobasse, que envolvesse todos os entes, todos os seres. Esta busca, na Grécia clássica, tornou-se busca pelo saber, pelo “Logos”.

A discussão filosófica já mudou muito o foco, e mudou várias vezes… Contudo, este mesmo Ser e este mesmo Logos continuam a nos encantar. Animais reflexivos que somos, sentimo-nos interpelados diante disso. Presos pela limitação material, pelo imanente, procuramos o que é transcendente, maior que nós mesmos.

Há muitos que sustentam, com bons argumentos, que esta procura é vã. Com eles queremos dialogar, certos de que têm muito a nos enriquecer. Nós, que somos cristãos, cremos que este Ser, este Logos – a Verdade – é uma Pessoa viva, Jesus Cristo. Ele, antes de tudo, nos procura e nos encontra. Assim, podemos ter esperança de que nossa busca não será perdida. É Ele que nos envolve e, mais, que renova e transforma a cada dia nossa vida e nossa mentalidade.

Caros leitores, hoje lançamos definitivamente o Blog do Instituto Santa Cruz, que forma homens e mulheres para a vida consagrada a Deus, uns para o sacerdócio e outros para a vida religiosa ou laical. Somos chamados à doação e à relação com os homens e mulheres de hoje. Por isso, o objetivo desta página é partilhar a admiração, o amor e a busca pelo conhecimento, pela sabedoria, pela verdade, por Deus.

Ainda que não esteja na moda, queremos falar de pensamento e de fé, de filosofia e de teologia. Publicaremos textos de estudantes e de professores, na esperança firme de que assim poderemos contribuir com algo àqueles que nos lerem.

Boa aventura!

Fachada do Instituto Santa Cruz