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POESIA DE UMA ALMA LABORIOSA

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Porque esgoto-me gemendo;

Todas as noites banho de pranto minha cama,

Com lágrimas inundo o meu leito.

Pois, de amargura meus olhos se turvam,

Esmorecem por causa de minhas dores.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Porque vivo atribulado,

De tristeza definham meus olhos,

Minha alma e minhas entranhas.

Pois minha vida se consome em amargura e desgosto,

Meus anos em gemidos.

Minhas forças se esgotaram na aflição,

Mirraram-se os meus ossos.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Porque tornei-me objeto de opróbrio para todos os inimigos e amigos,

Ludíbrio dos vizinhos e pavor dos conhecidos.

Pois, eis que minha vida se consome em tristeza.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Porque fogem de mim os que me vêem na rua.

Pois, fui esquecido dos corações como um morto,

Fui rejeitado como um vaso partido.

Fui caluniado e motivo de chacota.

Destarte, tramam contra a minha vida.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Porque são fétidas e purulentas as chagas que a minha loucura me causou.

Pois, estou abatido, extremamente recurvado, todo o dia ando cheio de tristeza.

Inteiramente inflamados os meus rins; não há parte sã em minha carne.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Pois, ao extremo enfraquecido e alquebrado, agitado o coração,

Lanço gritos lancinantes.

Porque, Senhor, diante de vós estão todos os meus desejos,

E meu gemido não vos é oculto.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Pois, palpita-me o coração,

Abandonam-me as forças,

E me falta a própria luz dos olhos.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Pois, sou como um surdo: não ouço; sou como um mudo: não abre os lábios.

Porque fiz-me como um homem que não ouve, e que não tem na boca réplicas a dar.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Porque eu dizia: Não verei mais o Senhor na terra dos viventes.

Não verei mais a luz entre os habitantes do mundo.

Pois, arrancam as estacas de meu abrigo, arrebatam-me como uma tenda de pastores.

Como um tecelão, enrolam a teia de minha vida, depois cortam-lhe o laço.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Porque, dia e noite estou desamparado, e grito até o amanhecer.

Como um leão, quebram-me todos os ossos.

Como a andorinha, dou gritos agudos e gemo como a pomba.

Meus olhos se cansam de olhar para o alto.

Os meus olhos noite e dia choram lágrimas sem fim

Pois, Senhor, estou em agonia, socorrei-me.

O tempo que me resta eu o arrasto, vivendo em amargura.

Restituí-me a saúde, fazei-me reviver.

Diácono Ueslei Vaz Aredes[1]


[1] Seminarista da Diocese de Itumbiara, no 4º ano de teologia.