A coisificação

A coisificação

O Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz, no dia 30 de Agosto de 2013, realizou o café filosófico com o seguinte tema: A coisificação: desafios e perspectivas.  O café teve como palestrantes a professora Juliane Ribeiro, especializanda em sexologia, e o padre Cristiano dos Santos, especialista em filosofia e bioética, que abordaram a coisificação na ótica de Foucault com leitura crítica baseada na antropologia e na psicologia. Diante desse tema, levantou-se a questão: o que é, afinal, coisificação?

Para Foucault, a coisificação consiste na utilização do corpo humano como um instrumento de poder através da lei, que faz do corpo humano simplesmente uma coisa qualquer. A lei faz com que a pessoa se repreenda daquilo que ela realmente é, como também, faz com que o seu corpo não lhe pertença e seja utilizado para um fim que favoreça outrem. É por isso que Foucault faz duras críticas às instituições de seu tempo, como o exército (treinamento do corpo para lutar) e a Igreja (renúncia do corpo para alcançar a santidade). Dessa forma, o filósofo afirma que para que haja uma verdadeira liberdade do homem, ele deve estar isento de qualquer imposição, ou seja, deve haver uma radical ausência da lei e consequentemente o homem passaria por uma revolução da liberdade, que iria se expressar numa livre sexualidade.

Todavia, a antropologia afirma que as questões sociais do homem tendem a dois caminhos: a humanização e a coisificação do homem. Pois, antropologicamente falando, o homem é moldado e formado pelas coisas que estão fora do seu ser. As coisas exteriores são meios da qual o homem pode se tornar um pouco melhor, ou seja, as coisas externas melhoram o seu existir, mas para que a humanização possa ocorrer, deve haver uma equidistância no processo de relação, em outras palavras, não se deve encontrar no ambiente algo que atrapalhe no seu existir. Quando não há essa relação do outrem como existente, o outro é quantificado e qualificado como uma coisa e não é visto mais como um ser existente, havendo então a coisificação.

Bem, se a liberdade é o poder da pessoa de existir, então o que é existir como pessoa?

De ponto de partida, se deve levar em consideração uma reflexão muito presente na tradição filosófica: o dualismo. Por muitos anos pensadores procuraram compreender o problema da essência própria do homem, uns afirmando que o homem só como matéria, isto é, somente como um corpo pensante; outros vendo o homem como espiritual, ou seja, que possui um espírito metafísico. No cristianismo por muito tempo se entendeu que haveria uma grande separação entre o corpo, a alma e o espírito, o homem seria formado por partes materiais e imateriais. Tudo que viesse da matéria e da vontade corpórea seria ruim, e o que viria do espírito seria santo. Concepção que foi mudada com João Paulo II em seu livro: Teologia do Corpo.

Na verdade, o homem é uma unidade de corpo, alma e espírito, não havendo separação entre essas dimensões.  O homem deve ser entendido de forma completa, sem reducionismo ou separação. Afinal, se compreender o homem somente como matéria, realmente Foucault estaria certa em referência à lei como agente de coisificação, todavia se compreender-se o homem na sua completude, a lei, caso seja justa, é instrumento de liberdade do homem, pois favorecerá o seu desenvolvimento simultâneo do corpo, da alma e do espírito por um bem maior para si mesmo.

A psicologia também confirma essa unidade do homem, apontando que uma liberdade frisando somente a pessoa em si mesma muitas vezes pode gerar um isolamento e ocasionar em alguns problemas psicológicos. Visto que a psicologia visa muito a soma, isto é, a interconexão entre psique o físico. O homem deve conseguir viver bem consigo mesmo e com o mundo que o rodeia, e isso consiste em uma liberdade que não esteja submetida a lei, mas também que não esteja totalmente ausente dela. Enfim, o homem preciso de si mesmo, como também precisa se aceitar.

 Além do mais, a psicologia aponta da necessidade que o homem tem seu do exterior para humanizá-lo, em vista de que o homem não é um animal que nasce já formado e pronto para sobreviver independentemente, ele precisa de cuidados nos primeiro tempos de vida. Além disso, para a psicologia, o problema não está na exterioridade, mas na forma em que o indivíduo recebe as coisas que lhe são apresentadas. A lei, dessa forma, é um ponto positivo, e não é possível o homem viver sem definir leis, afinal, não haver lei já é uma lei. Portanto, o que deve haver é uma reflexão sobre as leis enquanto a justiça presente nelas, não uma exclusão delas.

 

A coisificação do corpo em M. Foucault

O corpo em Michel Foucault aparece nos trabalhos relativos aos seus estudos sobre o poder. Rigorosamente o termo coisificação do corpo não aparece nestes estudos. Não se trata, pensa Foucault, de ver no poder uma prática que reduziria o corpo a uma coisa, um objeto inerte. Ao contrário, o corpo é uma realidade histórica, o que quer dizer, ao mesmo tempo, política; é uma realidade sobre a qual o poder investe, que tem nele e através dele a sua realização. Foucault rejeita a noção naturalista de que o corpo é uma entidade cuja estrutura e necessidades sejam fixas, mas não tão instável ao ponto de as práticas sociais de nossa cultura não desenvolverem técnicas e mecanismos sofisticados de controle por considerável período de tempo. Deste modo, nosso autor considera que o corpo é o lugar onde tais práticas, ínfimas e localizadas se colocam em relação com o modo pelo qual o poder se organiza. Enquanto mergulhado num campo político, pode-se tê-lo como locus em que se defrontam estratégias de luta, de efeitos e contra efeitos de poder.

                                  Por Pe. Cristiano Faria dos Santos 

JORNADA FILOSÓFICA 2013/2

Jornada Filosófica 2013-2

Café Filosófico – “O Homem: quem é ele?”

Café Filosófico 26 abril 2013

Quem é o homem? Sob que aspectos podemos compreendê-lo? Em tempos de tantas mudanças de parâmetros e valores, procuraremos entender estas e outras perguntas em torno do homem por meio de três autores significativos: dois marcaram a história da filosofia como um todo, uma é ainda desconhecida, mas também de grande peso, seja por sua tragetória, seja por sua síntese entre fenomenologia e ontologia.

Mas o que é um café filosófico? Uma conversa em ambiente amigável sobre um tema filosófico … uma conversa (não uma palestra) com linguagem acessível, mas sem que se perca o conteúdo. Mais do que porcurar chegar a um ponto em comum, nele procura-se compreender melhor as distinções e vislumbrar pontos de contato. Este é o nosso objetivo: conhecer melhor o tema do homem a partir de visões tão distintas e exercitar nossa capacidade de diálogo.

Para quem ficou curioso, vai uma breve apresentação dos nossos companheiros deste café:

Immanuel Kant, filósofo de significado ímpar, fixou os limites da subjetividade e do conhecimento válido para a ciência. Grande marco da crise da metafísica clássica, construiu, contudo, um sistema ético consistente que, no dizer de alguns, “salvou a própria metafísica”.

Friedric Nietzsche, grande filósofo da contemporaneidade, irônico e combativo, procurou radicalizar Kant contra ele próprio, levando suas conclusões do campo do conhecimento para o campo moral. Combateu tanto a metafísica e o cristianismo (o cristianismo que ele conheceu, ou ainda, a ideia que fez dele) quanto o niilismo, apostando em uma moral que valorizasse a vida.

Edith Stein: judia, filósofa, ateia, cristã, religiosa. Esta discípula de Edmund Husserl foi uma das primeiras mulheres a obter o Doutorado em Filosofia na Alemanha, professora em Speyer e em Münster, mas teve sua carreira universitária  abortada pela perseguição anti-seminta, em 1933. No mesmo ano tornou-se religiosa carmelita e, em 1942, morreu no campo de Auschwitz. Foi declarada mártir e santa por João Paulo II.

Contamos com sua presença!

PS: Participação e certificado de 3h extracurriculares gratuitos.

Localização: http://www.facebook.com/pages/Instituto-de-FIlosofia-e-Teologia-Santa-Cruz/199072460123078?fref=ts

Notícia sobre o Minicurso

Alunos e professores assitem fala do Prof. Fabio FerreiraNos dias 16 e 17/04, iniciou-se a JORNADA FILOSÓFICA 2013 do Instituto Santa Cruz com o Minicurso “As bases filosóficas do relativismo”, ministrado pelos professores Dr. Adriano Correia (UFG), no dia 16, e Dr. Fábio Ferreira (UFG), no dia 17.

O relativismo, tema recorrente em nossa época, foi abordado pelos professores sob duas perspectivas diferentes. O professor Dr. Adriano discorreu sobre “A dificuldade de pensar uma verdade absoluta na filosofia pós-kantiana (Kant, Nietzsche, Heidegger)”, ressaltando os aspectos do pensamento desses filósofos que demonstram tal dificuldade. O professor Dr. Fábio, por sua vez, falou acerca de “As bases filosóficas do relativismo na ciência”, trabalhando com a hipótese de que não há, na ciência, bases filosóficas do relativismo, a partir de sua análise do pensamento de Immanuel Kant e Gaston Bachelard.

Foi o Minicurso uma oportunidade ímpar para que os acadêmicos do Instituto Santa Cruz abrangêssemos os horizontes do conhecimento, ao pensar sobre uma temática tão conflituosa e desafiadora como o relativismo. Sendo meta primeira da filosofia pensar a verdade, é muito oportuno refletir ainda mais sobre os obstáculos e limites que se impõem a esta empreita.

Certamente o Minicurso, assim como todos os eventos da Jornada Filosófica 2013 que ocorrerão, acrescentam muito à nossa bagagem intelectual, que será sempre mínima em relação à grandiosa e variada possibilidade do conhecimento.
Enfim, ansiosos e abertos aos demais encontros que se concretizarão nesta Jornada Filosófica 2013, os acadêmicos do Instituto Santa Cruz esperamos ter maiores condições de dialogar com o mundo moderno, tão diversificado em pontos de vista, para assim colaborarmos com a construção do conhecimento, que deve conduzir todos os homens à paz, harmonia e conservação do mundo e, logo, da humanidade inteira.

Adelso J. Guimarães
Seminarista da Diocese de São Luís de Montes Belos, no 3º ano de Filosofia

JORNADA FILOSÓFICA 2013 – Minicurso e Café Filosófico

891860_370203243086168_695635953_o

FICHA DE INSCRIÇÃO DO MINICURSO

Está em anexo a ficha de Inscrição para o Minicurso: as Bases Filosóficas do Relativismo, que ocorrerá no Auditório do Instituto Santa Cruz nos dias 16 e 17 de abril. A inscrição deverá ser preenchida e enviada por e-mail para institutostacruz@gmail.com até às 12:00 hs do dia 15 de abril, segunda-feira. A participação é gratuita.

Ficha de Inscrição do Minicurso



Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.