Publicado em Ano da Fé, Filosofia, Filosofia Contemporânea, Filosofia Moderna

Café Filosófico – “O Homem: quem é ele?”

Café Filosófico 26 abril 2013

Quem é o homem? Sob que aspectos podemos compreendê-lo? Em tempos de tantas mudanças de parâmetros e valores, procuraremos entender estas e outras perguntas em torno do homem por meio de três autores significativos: dois marcaram a história da filosofia como um todo, uma é ainda desconhecida, mas também de grande peso, seja por sua tragetória, seja por sua síntese entre fenomenologia e ontologia.

Mas o que é um café filosófico? Uma conversa em ambiente amigável sobre um tema filosófico … uma conversa (não uma palestra) com linguagem acessível, mas sem que se perca o conteúdo. Mais do que porcurar chegar a um ponto em comum, nele procura-se compreender melhor as distinções e vislumbrar pontos de contato. Este é o nosso objetivo: conhecer melhor o tema do homem a partir de visões tão distintas e exercitar nossa capacidade de diálogo.

Para quem ficou curioso, vai uma breve apresentação dos nossos companheiros deste café:

Immanuel Kant, filósofo de significado ímpar, fixou os limites da subjetividade e do conhecimento válido para a ciência. Grande marco da crise da metafísica clássica, construiu, contudo, um sistema ético consistente que, no dizer de alguns, “salvou a própria metafísica”.

Friedric Nietzsche, grande filósofo da contemporaneidade, irônico e combativo, procurou radicalizar Kant contra ele próprio, levando suas conclusões do campo do conhecimento para o campo moral. Combateu tanto a metafísica e o cristianismo (o cristianismo que ele conheceu, ou ainda, a ideia que fez dele) quanto o niilismo, apostando em uma moral que valorizasse a vida.

Edith Stein: judia, filósofa, ateia, cristã, religiosa. Esta discípula de Edmund Husserl foi uma das primeiras mulheres a obter o Doutorado em Filosofia na Alemanha, professora em Speyer e em Münster, mas teve sua carreira universitária  abortada pela perseguição anti-seminta, em 1933. No mesmo ano tornou-se religiosa carmelita e, em 1942, morreu no campo de Auschwitz. Foi declarada mártir e santa por João Paulo II.

Contamos com sua presença!

PS: Participação e certificado de 3h extracurriculares gratuitos.

Localização: http://www.facebook.com/pages/Instituto-de-FIlosofia-e-Teologia-Santa-Cruz/199072460123078?fref=ts

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Notícia sobre o Minicurso

Alunos e professores assitem fala do Prof. Fabio FerreiraNos dias 16 e 17/04, iniciou-se a JORNADA FILOSÓFICA 2013 do Instituto Santa Cruz com o Minicurso “As bases filosóficas do relativismo”, ministrado pelos professores Dr. Adriano Correia (UFG), no dia 16, e Dr. Fábio Ferreira (UFG), no dia 17.

O relativismo, tema recorrente em nossa época, foi abordado pelos professores sob duas perspectivas diferentes. O professor Dr. Adriano discorreu sobre “A dificuldade de pensar uma verdade absoluta na filosofia pós-kantiana (Kant, Nietzsche, Heidegger)”, ressaltando os aspectos do pensamento desses filósofos que demonstram tal dificuldade. O professor Dr. Fábio, por sua vez, falou acerca de “As bases filosóficas do relativismo na ciência”, trabalhando com a hipótese de que não há, na ciência, bases filosóficas do relativismo, a partir de sua análise do pensamento de Immanuel Kant e Gaston Bachelard.

Foi o Minicurso uma oportunidade ímpar para que os acadêmicos do Instituto Santa Cruz abrangêssemos os horizontes do conhecimento, ao pensar sobre uma temática tão conflituosa e desafiadora como o relativismo. Sendo meta primeira da filosofia pensar a verdade, é muito oportuno refletir ainda mais sobre os obstáculos e limites que se impõem a esta empreita.

Certamente o Minicurso, assim como todos os eventos da Jornada Filosófica 2013 que ocorrerão, acrescentam muito à nossa bagagem intelectual, que será sempre mínima em relação à grandiosa e variada possibilidade do conhecimento.
Enfim, ansiosos e abertos aos demais encontros que se concretizarão nesta Jornada Filosófica 2013, os acadêmicos do Instituto Santa Cruz esperamos ter maiores condições de dialogar com o mundo moderno, tão diversificado em pontos de vista, para assim colaborarmos com a construção do conhecimento, que deve conduzir todos os homens à paz, harmonia e conservação do mundo e, logo, da humanidade inteira.

Adelso J. Guimarães
Seminarista da Diocese de São Luís de Montes Belos, no 3º ano de Filosofia

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SANCTI AURELII AUGUSTINI – SANTO AGOSTINHO DE HIPONA

Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, na África do Norte, atualmente Suk Ahras, Argélia, em 13 de novembro de 354, filho de Patrício, homem pagão e de poucas posses, que no final da vida se converteu, e da cristã Mônica, mais tarde canonizada.

Agostinho estudou retórica em Cartago, onde aos 17 anos passou a viver com uma concubina, da qual teve um filho, Adeodato. Neste período ler Hortensius, obra de Cícero, que o despertou para a filosofia e para a leitura de do Antigo Testamento.

Decepcionado como proceder dos patriarcas e com a simplicidade do Antigo Testamento frente à obra de Cícero adere ao maniqueísmo. No entanto, depois ”de nove anos de erro” se afasta da seita por se sentir decepcionado com Fausto – um dos chefes maniqueu, homem louvado por sua sabedoria, “grande laço do demônio” (Confissões V, 3,3. apud 1Tm 3, 7) para Agostinho – que com o seu discurso nada pôde acrescentar, saciar a sede de Agostinho pela verdade. Agostinho viu nele apenas um grande orador que seduzia muitos por sua eloquência.

Após se decepcionar com a seita dos maniqueus, Agostinho viveu longo conflito interior – por toda sua vida –, voltou-se para o estudo dos filósofos neoplatônicos, especialmente as obras do neoplatônico Plotino, que o conduziu “[…] à certeza de um Deus Criador bom e poderoso, fonte de toda realidade” (AGOSTINHO, Santo, 1995, p. 16). Em 384 começou a ensinar retórica em Milão, onde conheceu santo Ambrósio, bispo da cidade.

“A vida de Santo Agostinho é fascinante porque nos permite surpreender – num espírito privilegiado e numa natureza humana densa e contraditória – os dois processos complementares que caracterizam a época do ponto de vista da religião: o processo individual, subjetivo, da conversão, de encontro do novo Deus proposto pela Igreja; e o processo de implicações mais vastas, objetivo, da formulação de um pensamento católico com a amplitude e a coerência de um sistema filosófico” (MADUREIRA, 1973, pp. 9-10). Foi ele que soube melhor unir e estruturar “[…] os valores cristãos emergentes, recebidos do Novo Testamento, e a tradição filosofia herdada da Grécia antiga, especialmente de Platão. Tudo isso faz dele não apenas um grande santo e um grande modelo, pelos caminhos pessoais que percorreu até converter-se, como sem dúvida o pensador mais ilustre dos primeiros tempos do cristianismo”. (MADUREIRA, 1973, p. 10)

O religioso, teólogo cristão e doutor da Igreja sistematizou a doutrina cristã com enfoque neoplatônico. A tese neoplatônica pode satisfazer Agostinho até nos pontos acima, bem como, quanto ao mal físico que poderia ser resolvido por meio da Providência divina. Pois, o mal já não era mais como “um malefício, mas sim uma contribuição ao bem comum e à beleza da ordem” (AGOSTINHO, Santo, 1995, p. 13). O mesmo não pode ser dito quanto ao mal moral, porquanto Plotino propunha respostas inadmissiveis e alegava que a matéria é  “essencialmente má, e a responsável pelo mal” (AGOSTINHO, Santo, 1995, p. 13).

No entanto, Agostinho se deixou guiar pela fé em Deus bom, o Bem supremo que tudo criou pro meio do Filho, o Verbo eterno, e que tudo o que foi criado é bom. “Ele procura explicar pela razão a origem do pecado e seu papel na obra de Deus. Em conclusão, chega a afirmar em síntese: a fonte do mal moral, o pecado, está no abuso da liberdade, mas esta é um bem” (AGOSTINHO, Santo, 1995, p. 14).

Batizado em 387 por santo Ambrósio, junto com o filho Adeodato. Tomado pelo ideal da ascese, decidiu fundar um mosteiro em Tagaste, onde nascera. Nessa época perdeu a mãe e, pouco depois, o filho. Ordenado padre em Hipona (391), pequeno porto do Mediterrâneo, na atual Argélia, em 395 tornou-se bispo-coadjutor de Hipona, passando a titular com a morte do bispo diocesano Valério.

Em sua vida e em sua obra, santo Agostinho testemunha acontecimentos decisivos da história universal, com o fim do Império Romano e da antiguidade clássica. Suas obras mais importantes são De Trinitate, sistematização da teologia e filosofia cristãs, divulgada de 400 a 416 em 15 volumes; De Civitate Dei, divulgada de 413 a 426, em que são discutidas as questões do bem e do mal, da vida espiritual e material, e a teologia da história; Confessiones, autobiografia, divulgada por volta de 400; De Libero Arbitrio onde discute sobre o bem e o mal, e muitos trabalhos de polêmica (contra as heresias de seu tempo), de catequese e de uso didático, além dos sermões e cartas, em que interpreta minuciosamente passagens das Escrituras.

Sua mãe, Mônica – “aquela viúva casta, piedosa e sóbria — como Vós a quereis —, já, certamente, mais alegre pela esperança, mas não menos remissa em prantos e gemidos, não se cansava de Vos fazer queixa de mim, durante as horas em que orava. ‘As suas preces chegaram à vossa presença’” (Confissões. III, 11,20) – atingiu o objetivo pelo qual lutara a vida toda e pode esperar tranquila a morte, que realmente ocorreu alguns meses depois, no outono de 387, na cidade de Óstia.

Agostinho estava desolado por ter perdido a mãe. Mas por outro lado tinha diante de si um futuro de verdadeira alegria e esperança. Voltou a Tagaste, vendeu as propriedades paternas e, congregando em torno de si os amigos mais fiéis, organizou uma espécie de comunidade monástica. Ali pretendia passar o resto da vida em recolhimento, aprofundando a vocação religiosa e fundamentando racionalmente a fé que abraçara.

No pensamento de santo Agostinho, o ponto de partida é a defesa dos dogmas (pontos de fé indiscutíveis) do cristianismo, principalmente na luta contra os pagãos, com as armas intelectuais disponíveis que provêm da filosofia helenístico-romana, em especial dos neoplatônicos como Plotino. Para pregar o novo Evangelho, é indispensável conhecer a fundo as Escrituras, que só podem ser bem interpretadas através da fé, pois apenas esta sabe ver ali a revelação de verdades divinas. Compreender para crer e crer para compreender, tal é a regra a seguir.

A salvação do homem, na teologia agostiniana, é algo completamente imerecida, que depende tão só da graça de Deus; graça que se manifesta aos homens por meio dos sacramentos da Igreja.

Fábio Cardoso da Silva[1]


[1] Seminarista da Arquidiocese de Goiânia, no 3º ano de Filosofia no IFTSC.

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OS PRINCÍPIOS LÓGICOS (II)

Continuação do texto “Os princípios lógicos (I)”.

O Princípio do Terceiro Excluído ou de Exclusão

Trata-se de mera decorrência dos dois primeiros princípios. É estabelecido da seguinte forma: “Entre o ser e o não-ser não existe meio termo”. Ou seja, dadas duas proposições com o mesmo sujeito e o mesmo predicado, uma afirmativa e outra negativa, uma delas é necessariamente verdadeira e a outra necessariamente falsa. ‘A é x ou não-x’, não havendo terceira possibilidade. Toda coisa deve ser verdadeira ou então falsa e manifesta suas características pelas quais é identificada, ou simplesmente não é e, neste caso, exclui as possibilidades contrárias.

Em lógica, inexiste meio termo entre verdade e falsidade. Dizer que algo é “mais ou menos” indica apenas intensidade que já é identidade. “O café está mais ou menos quente, ou morno” é um estado definido. Entre o preto e o branco existe o cinza, que é, igualmente, uma cor determinada. Assim, se algo é, ele o será verdadeiro – de acordo com uma realidade, ou será falso – em desacordo com uma realidade. Nunca mais ou menos verdadeiro ou mais ou menos falso. Relativamente às proposições, formula-se princípio de Exclusão dizendo que “Toda proposição ou é verdadeira ou é falsa, não havendo intermediário entre a verdade e a falsidade”.

O Princípio da Razão suficiente

Este princípio é também considerado como um dos princípios lógicos. Pode ser exposto assim: um enunciado é verdadeiro ou falso; se pretende ser ele verdadeiro, necessita uma razão que o fundamente, que o apoie. Chama-se a essa razão de “suficiente” quando, por si, é bastante para servir-lhe de completo apoio. É uma razão suficiente, quando não falta mais nada para que o enunciado seja verdadeiro.

O Princípio do silogismo

Outro princípio também considerado entre os lógicos é o Princípio do silogismo, que se pode enunciar assim: “Se a implica b e se b implica c, a implica c”. A implicação, no sentido lógico-formal, é uma relação que afirma que um enunciado resulta necessariamente de outro. Assim, por exemplo, “a lei da gravitação implica a da queda dos corpos”.

Antônio José Resende[1]

REFERÊNCIAS

COPI, Irving M. Introdução à lógica. Trad. Álvaro Cabral. 2. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1978.
PINTO, Mário. Elementos Básicos de Lógica. 4. ed. Belo Horizonte: PUC-MG/FUMARC, 1984.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
KNEALE, William e KENEALE, Martha. O Desenvolvimento da lógica. 3. ed. Trad.de M. S. Lourenço. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1991.


[1] Professor no IFTSC e na PUC-Goiás

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OS PRINCÍPIOS LÓGICOS (I)

O raciocínio como resultado do encadeamento ordenado e com nexo de proposições que se relacionam e estabelecem dependência ou oposição entre si obedece a três princípios, condições de toda verdade, consagrados pela lógica, como sendo:

O Princípio de Identidade

Um ser é sempre idêntico a si mesmo: ‘A é A’. É o princípio da determinação e sobre ele pouco se pode dizer, visto tratar-se do óbvio. É expresso, simplesmente “O que é, é”. Significa que em todas as coisas existe uma identidade entre a sua noção e seus componentes. Ela é o conjunto de seus caracteres e, parcialmente, cada um deles. Ele enuncia a impossibilidade em que se encontra a mente humana de pensar uma noção e seus caracteres constitutivos como reciprocamente dissemelhantes. Assim, por exemplo, dizer “o homem é um animal racional” ou qualquer outra afirmação estabelece uma determinação que, sob algum aspecto e alguma maneira, é, existe e que não pode não ser. Aplicado às proposições, este princípio diz que “Toda proposição é equivalente a ela mesma”.

O Princípio de Contradição

Também denominado princípio de não-contradição. É uma decorrência do primeiro e que melhor o explica. É assim expresso: “Uma coisa não pode ser e não ser (ou deixar de ser) ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto”. Ou seja, é impossível que um ser seja e não seja idêntico a si mesmo ao mesmo tempo e na mesma relação. É impossível ‘A é A e não-A’. Quando uma noção é admitida ou aceita, isto implica que nossa mente não pode aceitar que a mesma não exista ou não ocorra, sob pena de incorrer num absurdo. Se é não pode deixar de ser. Assim, “Não posso ser eu e não ser eu”, como “Não posso estar aqui agora e não estar aqui agora”.

Note-se que a contradição envolve simultaneidade, pois sucessivamente pode existir em outro lugar, sem me contradizer. Da mesma forma, importa considerar a identidade dos aspectos, uma vez que sob aspectos diferentes não há contradição. Por exemplo, “Sócrates não pode ser rico e pobre” (sob o aspecto monetário), mas pode, perfeitamente, ser “pobre, monetariamente, e rico de espírito”. Nada impede que uma pessoa seja “aluno” e “professor”, ao mesmo tempo, sob aspectos diferentes. Aplicado às proposições, este princípio diz que “nenhuma proposição é verdadeira e falsa ao mesmo tempo”.

Antônio José Resende[1]

REFERÊNCIAS

COPI, Irving M. Introdução à lógica. Trad. Álvaro Cabral. 2. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1978.
PINTO, Mário. Elementos Básicos de Lógica. 4. ed. Belo Horizonte: PUC-MG/FUMARC, 1984.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
KNEALE, William e KENEALE, Martha. O Desenvolvimento da lógica. 3. ed. Trad.de M. S. Lourenço. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1991.


[1] Professor no IFTSC e na PUC-Goiás