Publicado em Antropologia Filosófica

Na Cruz de Cristo

Cruz-de-Cristo

Foto: Canção Nova

Muitas vezes, em nossa caminhada, não reconhecemos Cristo como nosso salvador, o qual entregou sua vida na Cruz para nos salvar e nos trazer a paz. Na Cruz de Cristo, se encontram todas as respostas dos nossos questionamentos, pois na Cruz, Cristo deu sua resposta definitiva em favor da humanidade.

O amor de Cristo para conosco é tão grande que não tem como ser medido, somente vivenciado. Na Cruz, Cristo nos mostra que não estamos sós na caminhada por mais difícil que seja; pelo contrário, Ele está sempre fiel e presente junto a nós, e que basta somente a confiança Nele. Na Cruz, Cristo doou seu grande amor e também nos deixa claro, que nem as dificuldades devem nos fazer desistir, e sim nos revelam que somos pessoas capazes de vencer.

Assim, Cristo nos ensina que é nos momentos agitados e turbulentos que encontraremos o verdadeiro sentido do calvário pelo qual Ele passou. E nos dá a certeza ,de que, mesmo diante de toda ventania e ondas fortes pelas quais passamos, no final, a vitória é certa; pois Ele está sempre a nossa frente conduzindo os nossos passos e, se não conseguimos, Ele nos leva nos braços.

 

Por Uellinthon Rabelo de Oliveira.

Seminarista da diocese de Jataí, 2° Ano de Filosofia.

Anúncios
Publicado em Antropologia Teológica, Artigos científicos teológicos, Catecismo da Igreja Católica

O homem na visão da antropologica teológica

De acorimages (12)do com o Papa João Paulo II, “o homem é a primeira e fundamental via da Igreja, via traçada pelo próprio Cristo e via que imutavelmente conduz através do mistério da encarnação e da redenção”[1]. Ao falar do homem nessa perspectiva, queremos abordá-lo na sua relação com o Deus Uno e Trino revelado em Jesus Cristo. Pois o homem só sabe o que ele é por meio da luz de Jesus Cristo, o revelador de Deus. Mas, porque afirmamos que o homem só conhece a si se for iluminado por Cristo? O Concílio Vaticano II diz que “o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado. Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação”[2]. Ao se revelar, Cristo tinha um grande destinatário: o homem, ele é o objeto dessa revelação. A verdade revelada é verdade de salvação e é por isso que nos diz quem é o homem, fazendo-nos conhecer sua vocação.

A relação do homem com Deus é a dimensão última e mais profunda de seu ser, a única que nos dá a medida exata do que somos, ou seja, somos a “única criatura da terra que Deus quis por si mesma”[3]; no mais profundo de seu ser para ser chamado à comunhão de vida com Ele. Conforme Ladaria [4], essa relação com Deus, sempre é mediada por Cristo que se revela a nós e que também nos possibilita conhecermos a nós mesmos. Segundo o autor, para ter uma visão completa do homem no que diz respeito o ponto de vista da fé cristã é preciso distinguir os aspectos fundamentais de nossa referência a Deus. Para tanto, ele elenca três[5]: a criação, o pecado e a graça.

A dimensão mais específica da antropologia teológica é a relação de amor e de paternidade que Deus quer estabelecer com todos os homens através de seu filho Jesus Cristo. Deus cria o homem e dá a ele a graça de ser chamado à filiação divina por meio do Espírito, condição essa que só era de Jesus, e que agora é aberta a todos os homens, nisso consiste a vocação definitiva de cada homem.

O chamado à graça pressupõe nossa existência como criaturas livres. Porém a razão de nossa existência não está em nós. Se existimos é porque Deus quis, foi por sua bondade, em sua liberdade nos criou para chamar-nos à comunhão com Ele. É necessário termos compreensão dessa realidade para que possamos atingir o nosso fim. Mas porque se faz necessário falar da criação se a mesma parece ser tão óbvia na teologia? Ao falarmos da criação do homem, queremos enfocar a nova criação realizada em Cristo. O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus por meio de Cristo e o mesmo caminha para Ele. A questão da criação é um fator determinante e fundante no que diz respeito ao homem, esse fator determina sua própria consistência enquanto ser que foi criado para comunhão pessoal com Deus.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “na criação do mundo e dos homens, Deus colocou o primeiro e universal testemunho de seu amor todo poderoso e de sua sabedoria, o primeiro anúncio de seu desígnio benevolente, o qual encontra sua meta na nova criação em Cristo”[6]. Só Deus tem esse poder para criar do nada “ex nihilo”, nenhuma de suas criaturas tem esse poder infinito para criar, para chamar à existência aquilo que ainda não existe. Mas, qual seria o objetivo de Deus ao criar o mundo e especialmente o homem? A Igreja nos ensina que Deus criou todo o mundo livremente para manifestar e comunicar a sua glória, ao participar de sua verdade, bondade e beleza a criação desfruta da glória para qual foi criada. Glória essa que é sinal de doação, aqui se encontra o ponto alto no que diz respeito ao homem, porque é nessa manifestação e autodoação que estão exatamente a sua salvação e sua plenitude. Deus criou e continua mantendo o universo por meio de seu Filho e do Espírito Santo que dá vida; o seu poder está em “manifestar-se em Cristo, para poder comunicar seus benefícios e comunicar-se a si mesmo, e com isso obter a plenitude da criatura. Essa plenitude é Deus mesmo, porque apenas em Deus o mundo e, sobretudo o homem alcançam seu fim último”[7].

“Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, a imagem de Deus o criou”[8].  Esse versículo do Gênesis nos leva a refletir que o homem ocupa um lugar de destaque na criação, pois é “imagem de Deus”, unindo em sua natureza o mundo espiritual e material (corpore et anima unus). Além disso, foi constituído em uma profunda amizade com seu Criador, em harmonia consigo mesmo e com a criação, realidade tão grandiosa que só foi superada pela glória da nova criação em Cristo Jesus.

O Concílio Vaticano II afirma que de acordo com a “Sagrada Escritura o homem foi criado a imagem de Deus, pois só ele é capaz de conhecer e amar seu Criador, que o constituiu senhor de todas as coisas terrenas, para que as usasse, glorificando a Deus”[9]. Essa colocação do Concílio nos trás a resposta da grande indagação do salmista sobre a grandeza humana em sua fragilidade, mistério e paradoxo. “Que é o homem para dele vos lembrardes com tanto carinho?”[10]. O homem não tem outro fim a não ser compartilhar por meio do conhecimento e pelo amor a vida de Deus. Por isso ele é “imagem de Deus”, ser livre, dotado de dignidade, indivíduo humano, “capaz de conhecer-se, possuir-se e doar-se livremente para viver na comunhão com as outras pessoas e com seu Criador”[11], nisso consiste sua realização pessoal e felicidade.

Esse homem criado a imagem e semelhança de Deus chamado à comunhão optou por viver sob o signo do pecado, da infidelidade a Deus, a si e aos outros; o mal uso de sua liberdade resultou nisso. De acordo com Ladaria, o amor de Deus que nos criou e quer fazer de nós seus filhos não encontrou no homem uma resposta de acolhida, mas desde o princípio encontrou indiferença e até rejeição.

O Catecismo da Igreja Católica confirma essa premissa afirmando:

Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. E o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, “pois, no dia em que dela comeres, terás de morrer” (Gn 2,17). “A árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2,l7) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança. O homem depende do Criador, está  submetido às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade.[12]

Nessa perspectiva do pecado devemos trazer a tona um elemento antropológico de fundamental importância: a liberdade. Sabemos que o grande distintivo de Deus no homem é a liberdade, isto é, sua semelhança. O Decreto Conciliar Gaudium et Spes afirma que “a liberdade verdadeira é um sinal privilegiado da imagem divina no homem. Pois Deus quis deixar o homem entregue à sua própria decisão, para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e beatífica perfeição, aderindo a Ele”[13]. Porque se faz necessário falar da liberdade  em relação ao pecado? Porque o pecado consiste no mau uso da liberdade que resultou no rompimento da relação harmônica que o homem tinha com seu Criador, criatura e criação. Sabemos que Deus criou o homem em estado de santidade e justiça, mas seduzido pela “serpente”, que o enganou apresentando o “fruto” como bom e belo, dando a oportunidade de “ser como Deus”, o homem abusa de sua liberdade se levanta contra Deus com o desejo de atingir seu fim fora Dele. O homem preferiu a si mesmo, renunciou a Deus, contrariou seu estado de criatura e de seu próprio bem. Esse ato resultou no que chamamos de pecado original, pecado esse que feriu fortemente a relação e “diminuiu o próprio homem impedindo-o de conseguir a plenitude”[14].

O casal protótipo desse drama é Adão e Eva, agora poderíamos questionar como o pecado desse casal pode chegar até nós nos dias de hoje? Quando a Sagrada Escritura usa essa linguagem figurada apresentando Adão e Eva, ela está querendo representar por meio deles a unidade do gênero humano e não somente duas pessoas individuais. A Revelação nos ensina que Adão havia recebido a graça da santidade e justiça que deveria perpassar toda a humanidade, porém o mesmo renunciou a esse estado e optou pelo pecado, como aqui se fala da unidade do gênero humano todos receberam esse “presente de grego”[15]. A transmissão desse pecado é um mistério que não conseguimos compreender plenamente. Mas um elemento nos ajuda entendê-lo parcialmente. O ser humano é um ser de relação, logo o pecado pessoal que afetou a natureza humana foi transmitido a todos em um estado decaído, como afirma o Concílio de Trento. Para isso o Catecismo explica: “é um pecado que  será  transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado pecado de maneira analógica: é um pecado contraído e não cometido, um estado e não um ato”[16].

Mas, diante dessa realidade opaca do pecado continuamos percebendo a ação de Deus, que ama sua criatura e que não a abandona a mercê do inimigo. João Paulo II diz que na economia da salvação “o pecado não é o protagonista nem, menos ainda, o vencedor”[17]: só somos capazes de entendê-lo pela luz da plena Revelação que acontece em Cristo Jesus. De acordo com o papa, o próprio Cristo é o mistério da piedade que venceu o mistério da iniquidade; por meio de sua Páscoa nos livrou da culpa que nos oprimia, nos dando novamente a condição de vivermos a filiação divina. Esse mistério “é o caminho aberto pela misericórdia divina à vida reconciliada”[18]. A misericórdia de Deus Pai é abundante e foi derramada sobre nós com profusão; “é um amor mais poderoso que o pecado, mais forte do que a morte”[19].

São Paulo nos ensina que “pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores. Assim pela obediência de um só (Cristo) todos se tornarão justos”[20]. A vitória que Cristo nos concedeu sobre o pecado foi muito grande, ela nos deu bens muito maiores do que aquilo que o pecado tinha nos tirado, pois “onde abundou o pecado, a graça superabundou”[21]. E é por isso que na noite de Páscoa podemos cantar “verdadeiramente era necessário o pecado de Adão, que foi destruído com a morte de Cristo. Feliz culpa, que mereceu um tão grande redentor!”

De acordo com São Paulo a graça pode significar o próprio Cristo, então estar na graça é estar em Cristo. Isso evidencia a gratuidade do amor divino que torna possível a verdadeira liberdade. Diante dessa realidade da graça o homem pode ser tornar forte em sua fraqueza. Jesus nos dá essa graça e nos redime do nosso pecado, nos incorporando a Si. Portanto, a grande graça está no evento salvífico de Cristo e na nossa livre adesão a ela, essa graça não é destinada somente para alguns, mas para todos, afirma Ladaria.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, através da fé e do batismo nós nos unimos a Paixão e Ressurreição de Cristo e com isso o Espírito nos concede participar de sua vida, portanto, a graça do Espírito nos dá a justiça de Deus que foi perdida pelo pecado. Essa justificação se dá por meio da conversão do homem que se volta para seu Criador novamente, afastando-se do seu pecado; com isso ele acolhe o perdão e a justiça que vem de Deus. Então, podemos perguntar em que consiste a justificação? A Igreja nos ensina que a justificação que acontece pela graça consiste na remissão dos pecados, na santificação e renovação do homem interior. Pelo batismo partipamos da Paixão-Ressurreição de Cristo, assim somos justificados para que voltemos aquele princípio no qual fomos criados: a glória de Deus, de Cristo e o dom da vida eterna. Essa graça só pode ser concedida por um Deus que é totalmente misericordioso. Por isso, a graça consiste no auxílio oferecido por Deus ao homem para responder a sua vocação de ser filho no Filho, introduzindo-o no mistério da intimidade Trinitária.  Essa iniciativa divina da graça, precede, prepara e suscita a livre decisão do homem, ele deve responder livremente a esse chamado de amor, pois a graça responde diretamente às suas profundas aspirações de liberdade humana, chamando-o à cooperação e à perfeição.

O homem que possui a semente da eternidade em si, portanto, é convocado a transcender seu limite e voltar aquele estado original de perfeita harmonia. A graça santificante que o homem recebe não é por mérito próprio, mas dom gratuito, onde Deus infunde sua vida nele por meio do Espírito Santo para curá-lo do pecado e santificá-lo. O único mérito do homem é seguir seu livre desígnio de associar-se à obra da graça. “O mérito pertence à graça de Deus em primeiro lugar, à cola­boração do homem em segundo lugar. Cabe a Deus o mérito humano”[22]. A fonte principal do mérito diante de Deus é a caridade, e o grande apelo para que o homem atinja a plenitude da vida cristã é a perfeição dessa caridade, pois como nos diz o catecismo “A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada”[23].

Maximiliano Gonçalves da Costa[1]


[1] – Graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Graduado em Filosofia pelo Instituto Santa Cruz e Graduando em Teologia pelo Instituto Santa Cruz.

REFERÊNCIAS


[1] – JOÃO PAULO II, Carta Encíclica Redemptor Hominis, n. 14. 1979.

[2] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n. 22.

[3] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n. 24.

[4]– LADARIA, Luis F. Introdução à Antropologia Teológica. Ed. Loyola. São Paulo, 1998.

[5] – Esses aspectos são divididos por metodologia, porque ambos estão unidos na pessoa que é una.

[6] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.315.

[7] – LADARIA, Luis F. Introdução à Antropologia Teológica. Ed. Loyola. São Paulo, 1998. p. 43-44.

[8] – Gn. 1,27.

[9]– CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n.12.

[10] – Sl. 8,5.

[11] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.357.

[12] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.396.

[13] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n.17.

[14] – CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Const. Past. Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo Gaudium et Spes, n.13.

[15] – Burla, surpresa ruim inesperada, cilada.  A expressão, que significa dádiva ou oferta que traz prejuízo ou aborrecimento a quem a recebe. A expressão adveio da narrativa do cavalo de Tróia, na obra Eneida, de Vergílio.

[16] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.404.

[17] – JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Pós Sinodal Reconciliatio et Paenitentia. 1984. n.19.

[18] – JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Pós Sinodal Reconciliatio et Paenitentia. 1984. n.22.

[19] – JOÃO PAULO II. Encíclica Dives in Misericordia. 1980. n.8.

[20] – Rm. 5,19.

[21] – Rm. 5,20.

[22] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.2025.

[23] – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA n.2028.

 

Publicado em Antropologia, Apresentação, Artigos Científicos

EM BUSCA DE SENTIDO: PROCURA POR ESPIRITUALIDADE – UMA SÍNTESE

ImagemMarcas indeléveis na história da humanidade foram deixadas pela modernidade. Depois do promissor e esperançoso século XIX, sucedeu-se o turvo e cético século XX e hoje se fala de pós-modernidade marcada pela fragmentação do sujeito, pautada pelo consumismo, afetada pela insegurança decorrente das verdades abaladas e, portanto, em busca de sentido[1]. É nesse cenário que se situa o homem na esteira de busca e de realização. É também nesse terreno fecundo que as ciências humanas encontram seu objeto de investigação: o próprio homem. O interessante é que há um substrato comum entre as diversas ciências, um mesmo objetivo: buscar sentido, encontrar respostas para aprender a viver e promover a realização humana. Diante disso, é fato: a busca de sentido é uma atitude comum, que todos fazem; porém, ao mesmo tempo, é uma busca individual.

O psiquiatra Viktor Frankl (1905-1997) analisou a situação do homem atual e verificou que não poucos vivem a “crise de sentido” ou “o vazio existencial”. Quando tudo parece estar resolvido, tudo indo bem tecnicamente, uma pergunta brota em seu interior como uma esfinge: “sobreviver? Mas para quê”?[2]. Para este autor, a busca por sentido foi desconsiderada ao longo dos tempos ou, em muitas ocasiões, foi tratada como as patologias. Ele afirma que ela “é uma característica distintiva do ser humano” e não é apenas um desejo, mas uma realidade, uma necessidade específica, irredutível. É um “valor de sobrevivência” que se dá na capacidade de “orientar a própria vida em direção a um ‘para que coisa’ ou ‘para quem[3]’”. É buscando sentido e, por conseguinte, transcendendo-se que se aprende a viver.

São cada vez mais comuns os discursos de que o homem de hoje vive em “crise de sentido”. Nessa conjuntura, a filosofia se apresenta como tentativa de dialogar com as perguntas emergentes dessa situação, promovendo a reflexão. Entre as correntes de pensamento, há algumas que chamam a atenção para a constante e sistemática ‘redução do humano’, suprimido dimensões irredutíveis e não menos reais de sua existência. Um dos pensadores que se destaca nessas correntes é o judeu Martin Buber (1887-1965) que desafia o homem atual a refletir sobre a simplicidade das relações e seu valor ontológico. Ele entende que o homem não vive sem se progredir nas ciências, sem a técnica, mas é convicto de que viver para a ciência ou existir pautado pela técnica não realiza sua humanidade[4]. Para ele, o homem encontra o sentido da existência e sua concretização no relacionar-se com o seu semelhante. Porém, importa saber se na atualidade ainda é possível essa simples e desafiadora tarefa. Trata-se de uma relação ontológica possível se se o homem confronta consigo, se se abre à relação gratuita, presencial, imediata e recíproca[5]. Mas, para o encontro relacional não se fechar entre um Eu e um Tu, reduzindo o outro a um objeto, tal como o raciocínio técnico-científico, Buber propõe uma terceira dimensão, a relação com Deus, para onde convergem todas as relações interpessoais e quem as livra da objetivação. É Ele o sentido, o significado dos significantes atributos simbólicos da relação pessoal inter-humana[6].

Para os dois autores, o “sentido da vida” não está separado do contexto em que se vive. Constata-se que a exigência humana de buscar sentido é uma resposta à sua estrutura capaz de efetivá-lo. É uma busca que se traduz na procura por aspirações elevadas, sair de si, transcender, seguindo uma progressiva autenticidade. Por outro lado, o “sentido” não é criado nem improvisado: é descoberto, é encontrado, reconhecido e livremente assumido, acolhido pelo homem. Portanto, a busca de sentido não coincide com a busca por uma espiritualidade orientadora de sentido, de integração, caracterizada por uma profunda relação com Deus e, por conseguinte, com o outro[7]? Em outras palavras, a crise de sentido não é uma crise espiritual? Importa ainda considerar que se entende por espiritualidade uma experiência que faz o homem transcender-se, sair de si e viver uma profunda relação que o eleva e converte essa experiência mística em vida, em expressões de valores, em aprendizado que o tenciona para além da existência temporal e material.

Mário Correia[8]

**Síntese do Artigo apresentado na Jornada Filosófica e Teológica do IFITEG, no dia 09.05.2012.


[1] Dois autores parecem pertinentes aqui: Stuart Hall com a tese da “crise de identidade” e Zygmund Bauman com a tese da “sociedade do consumo” ou “modernidade líquida”. Os dois propõem repensar as estruturas atuais.

[2] FRANKL, Viktor E. Um sentido para a vida. Psicoterapia e humanismo. Aparecida- SP: Ideias e letras, 2005. p 15.

[3] Ibidem, p. 29.

[4] cf. BUBER, Martin. Eu e Tu. 10ª ed. São Paulo: Centauro, 2006. pp. 53, 74.

[5] Cf. ibidem, pp. 53, 74.

[6] Cf. ibidem, p. 101

[7] cf. BERNARD, Charles André. Introdução à teologia Espiritual. São Paulo: Ed. Loyola, 2005. p. 88.

[8] Seminarista da diocese de Barreiras, graduado em Filosofia e no 3º ano de Teologia no IFTSC.

Publicado em Antropologia, Antropologia Filosófica

CONSIDERAÇÕES ACERCA DO FUNDAMENTO DO VALOR E DA DIGNIDADE DO SER HUMANO

A palestra apresentada pelo padre Edmar José da Silva, mestre em filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana e membro do clero da Arquidiocese de Mariana, foi sobre o seguinte tema: “Considerações acerca do fundamento do valor e da dignidade do ser humano”.

Segundo o conferencista, o Concílio Ecumênico Vaticano II é totalmente embasado através de uma antropologia, mas esta possui um cunho teológico, o que não limita uma reflexão filosófica acerca da dignidade apresentada por tal concílio.

Atualmente, o tema dignidade do ser humano é algo totalmente invocado e evocado por vários segmentos de reflexões, mas existe uma pergunta: o que vem a ser tal dignidade? Tal resposta pode vir sobre os vários aspectos reflexivos, como a filosofia, a economia, o direito, dentre outras. Mas, para tal reflexão acerca da dignidade do ser humano, se usará a reflexão filosófica para bem definir o tema. Primeiramente, se usará o filosofo dominicano Santo Tomás de Aquino para nos auxiliar e, após isto, usaremos o personalismo de Emmanuel Mounier para nos conceder elementos contemporâneos para a fundamentação de Santo Tomás de Aquino.

1 – Origens do conceito de pessoa

Padre Edmar bem acentuou o tema, dizendo que a discussão acerca da dignidade humana se situa como um problema de fronteira, na qual pode ser amplamente discutido entre a antropologia e a ética. Primeiramente, se deve fazer a seguinte pergunta: “O que é o homem?” Colocou-nos nos primórdios das artes cênicas, na qual surgiu o termo persona. Tal retorno às artes cênicas nos remonta dois termos: Identidade e comunicação.

O primeiro princípio é o de identidade, na qual nos remontamos aos teatros gregos, cujos artistas usavam máscaras (intituladas prosopon), que comunicavam os sentimentos do ator. O segundo possui o termo de comunicação, na qual o ator, através de sua máscara, representava uma expressão que comunicava algo a mais do que o aspecto anterior, tal termo era designdado pelos latinos como personare. Esta última designa uma relação, ou seja, para se ter uma comunicação, é necessário alguém que comunique e alguém e que este receba a mensagem, formando assim uma relação. E logo após, o termo persona fora sempre presente nas discussões cristológicas e trinitárias.

Segundo alguns historiadores, o primeiro pensador a mencionar o conceito “pessoa” em relação ao homem foi Santo Agostinho. Tal fato demonstra que o termo pessoa possui um aspecto cristão. Padre Edmar ponderou que, na antropologia o conceito de pessoa é usado de forma análoga.

2 – O conceito de pessoa para Santo Tomás de Aquino.

Para a definição aquiniana de pessoa, primeiro é necessário passar por Boécio, pois é nele que Santo Tomás de Aquino se embasou para dissertar sobre assunto.

Primeiramente, Santo Tomás de Aquino diz que a pessoa é substância. Ou seja, Santo Tomás afirma que a pessoa pertence a ela mesma, e isto além de ser metafísico também é uma consequência ética, pois pessoa tem valor em si mesmo, é uma substância primeira.

Segundo, Santo Tomás classifica como indivíduo, ou seja ele é idêntico a si mesmo e diferente dos outros, e esta conceitualização serve para todo ente. Isto significa de que todas as pessoas são insubstituíveis. Existe também a incomunicabilidade do ser, ou seja, um ser é impossível ser outro, este apenas assume algumas características, mas não asssume o outro ser totalmente.

Santo Tomás de Aquino chama atenção para a singularidade e para a individualidade de cada homem. Estes, por sua vez, distinguem-se de todas as outras coisas devido a sua capacidade de raciocínio. Mas padre Edmar utiliza a palavra reflexão, para ir além da capacidade de raciocinar.

Para Santo Tomás de Aquino, a característica que o ser humano possui de raciocinar está totalmente vinculada com a liberdade, pois o ato de raciocinar confere liberdade plena ao ser humano.

No campo da naturalidade e da cultura, segundo padre Edmar, não existe dicotomia entre ambos, pois o homem pertence tanto à natureza quanto a cultura, sem um prevalecer sobre o outro.

Outro termo acrescentado ao ser humano é a dignidade. Segundo Santo Tomás de Aquino, esta é uma constituição do ser humano. Esta dignidade no ser humano é algo de caráter indelével, ou seja, que não se pode retirar. Assim, podemos afirmar que ela é totalmente intrínseca ao ser.

3 – O personalismo de Emmanuel Mounier

Padre Edmar pontuou que em Emmanuel Mounier existe uma estrutura pessoal em dois momentos:

1º Pessoa é conversão íntima, ou seja, o ser humano tem um recolhimento, um domínio de si. Em Santo Tomás de Aquino, esta dimensão é a identidade.

2º A pessoa possui pudor: segundo Emmanuel Mounier, as pessoas espalhafatosas estão sempre fora de si, ou seja, elas possuem uma certa ausência de reflexão acerca de si (afrontamento). Padre Edmar pontuou que o ser humano, neste pensador, é comunicação, e esta comunicação é sempre um risco, mas para o pensador este risco é extremamente importante.

Mounier menciona que sua época é a época do despersonalismo, pois, de um lado, se tem o capitalismo e, de outro, o comunismo. O capitalismo é extremamente individualista, ou seja, o ser humano permanece fechado para o outro. Já no socialismo o grupo é mais vital do que a pessoa humana, ou seja, tudo em favor do grupo; se algum ser humano for contra o grupo este deve ser destruído em prol da vida da sociedade.

Padre Edmar também mencionou outro termo presente na filosofia de Emmanuel Mounier: O despojamento de si – a abertura ao outro. O conferencista também fez uma reflexão de que nossa cultura esta em uma via oposta ao despojamento.

Padre Edmar conclui que estamos imersos no despersonalismo e, conhecendo estes valores reais do ser humano, devemos colocá-los em prática na nossa cultura para transformá-la em uma cultura personalista, na qual se busca um resgate do próprio ser humano.

Evaldo Antônio Bueno Gonçalves[1]


[1] Seminarista da Arquidiocese de Goiânia, no 2º ano de Filosofia no IFTSC.

Publicado em Antropologia, Antropologia Teológica, Cristologia

A RELAÇÃO DO SER HUMANO COM DEUS UNO E TRINO REVELADO POR CRISTO

Este texto é de um resumo da conferência feita por P. Spencer Custódio Filho (SJ), na semana acadêmica do Instituto Santa cruz, em 06.06.2012. Construída segundo a compreensão de quem a produziu. Nela faz-se alusão a termos usados pelo conferencista, bem como a expressões na íntegra. Mas o conteúdo exposto neste resumo é de responsabilidade de seu autor.

A Igreja levou um longo tempo para assimilar a relação entre a teologia e as ciências humanas. O Vaticano II trouxe uma forte contribuição para uma revisão acerca do olhar sobre e para o homem. Temos aqui o primeiro momento em que a Igreja aborda o tema da antropologia, enquanto ciência. O Vaticano também colabora para um diálogo e aproximação com as ciências humanas, uma vez que, salvo exceções, a teologia era elaborada – fala-se aqui enquanto referencial – por uma filosofia dogmática.

No século XIX, diante da teologia liberal alemã (protestantes) e dos pressupostos metodológicos das ciências críticas no estudo bíblico e dogmático, há um estímulo no que e para o que toca a teologia cristã católica. Um convite à discussão (interpelação), enquanto referencial e interlocução. O fato do pouco contato com a bíblia é um fator que interpela no que toca a esta questão – lembrando que ainda hoje muitos cristãos católicos têm pouca relação com a Bíblia enquanto dado da Revelação. Assim podemos afirmar, também, que o Concílio Vaticano II “abriu um horizonte intelectual de leitura da Sagrada Escritura e elementos científico-culturais”.

Na virada do século XIX para o seguinte, Loysy provoca a uma “aplicação de métodos histórico-críticos no estudo da Sagrada Escritura e do dogma”, motivado pela convicção de que o “povo estava imerso na dúvida”. Houve um forte conflito com o pensamento oficial da Igreja, que procurou desacelerar tal discussão que, mais largamente, por outros campos e reflexões, se dava no limiar do século XX, mais que já antes vinha sendo elaborada. Houve, por parte da e na Igreja, uma “afirmação da neo-escolástica (do séc. XIX) e um distanciamento entre catolicismo e modernidade”.

No contexto do Vaticano II houve uma “lenta renovação” trazida pela reflexão de teólogos como Marechal, Lubac, Danielou, Congar e outros. No séc. XX,  houve uma evocação, muito presente no Vaticano II e até como propósito deste, de nos colocar (enquanto Igreja) e contextualizar no tempo presente, um convite a uma “modernização”. E, de fato, o Concílio conseguiu nos deslocar para o século XX, para aquelas reflexões que já vinham e se fortaleceram no início desse século. O Vaticano II usou uma linguagem nova, de aproximação/diálogo (evocação à atualização), de tal forma, que se abriu a “releituras bíblicas que mudaram a compreensão e a própria leitura da Bíblia e dos fatos” (vida/“cotidiano”).

Houve, por parte dos dominicanos franceses, uma renovação do tomismo da escolástica medieval. Esse contexto gerou uma grande contribuição para o estudo da teologia, com aceno para Karl Rahner (SJ), no tocante à antropologia. A teologia se lança “dentro” da vida das pessoas, uma vez que houve uma forte “aproximação entre antropologia e cristologia”. A questão do Cristo histórico ganha força e adentra profundamente por meio de muitas reflexões. A humanidade de Cristo o apresenta como pessoa que provoca paixão e estreita nossos laços com o Pai, pois Ele nos revela o Pai. Mediante uma leitura antropológica, temos a possibilidade e oportunidade de encontrar e ver muitas coisas novas e fascinantes, uma vez que o “humano de Jesus revela e autocomunica sua divindade”. Fala-se aqui de um cristo inserido no tempo (menos na dimensão do pecado).

Segundo P. Spencer (SJ): “A razão da encarnação é o ‘apaixonamento’ de Deus”.

Renato Eduardo da Silva Costa[1]


[1] Seminarista da Arquidiocese de Goiânia, no 1º ano de Teologia no IFTSC.

Publicado em Antropologia, Antropologia Filosófica, Monografias Teológicas

A relação entre a consciência e a experiência humana na questão antropológica de Karol Wojtyla

O Cardeal Wojyla em férias.

Karol Wojtyla busca definir o ser humano seguindo um fundamento: pessoa humana. Neste trabalho será demonstrado como essa pessoa se revela e como ela mesma se compreende. Será constatado também que a compreensão do homem como pessoa acontecerá por meio de seus atos.

Por esse motivo, percebe-se que fundamentalmente é necessário contar com dois princípios essenciais a ele: a experiência e a consciência humana, a fim de que o ato possa ser contado como elemento central na compreensão da pessoa.

Para Wojtyla, conceber o homem como pessoa, é dar sentido existencial a ele. A partir da experiência e da consciência, a pessoa terá por si o aspecto de destaque entre os demais seres, e, apesar disso, não o tornará isolado da relação com o mundo, da relação de vivência com os demais seres, com outros homens e dele com ele mesmo.

Haverá, portanto, nestas relações referidas, uma ação de experiências próprias (experiência humana). Desta relação também o homem tem acesso à sua interioridade (consciência), por meio da qual permite com que ele dê um significado e sentido determinado ao meio em que ele vive, ao modo de poder pensar sobre os valores morais e também na vivência do mandamento do amor.

A pessoa humana, possui uma interioridade e uma espiritualidade, se destaca e se difere dos demais seres existentes. Assim, Wojtyla afirmou que a ela é conhecida e também se conhece por meio de seus atos. Por causa dessa afirmação, é possível constatar que Wojtyla não desconhece a importância da análise psicológica e nem mesmo o aspecto do pensamento determinista empírico, pelo fato de ambos terem como eixo de análise os atos. Wojtyla não os ignora, mas supera algumas características deterministas, isso por causa da análise da relação entre a consciência e a experiência do ato.

A filosofia de Karol Wojtyla contribui para aproximar a perspectiva objetivista e subjetivista presente respectivamente na filosofia do ser e na filosofia da consciência, pois o estudo da pessoa em ação, para ele, mantém um estado de ser que abarca estas duas perspectivas, ou seja, um estado de ser que é concomitantemente sujeito e objeto. Assim, também a pessoa humana terá capacidade de atuar no mundo objetivo e na realidade transcendente.

Mas seu esforço não se interrompe no conhecimento da pessoa por meio de seus atos, pois Wojtyla, com o estudo da pessoa em ação, vai além. Isto é, a antropologia personalista de Karol Wojtyla alcança o seu ápice no amor, pois será somente por meio da experiência deste, que o ser humano conseguirá se perceber e, por consequência, se compreender como pessoa humana. Será também por meio do amor que essa pessoa terá acesso a uma comunidade autenticamente humana.

É, por fim, na dimensão emocional que o homem poderá ter a verdade no âmbito moral; e, se esta verdade não estiver em interação com a razão, o homem não conseguirá fazer um juízo de valores.[1]

Arpuim Aguiar Araújo[2]

Palavras-chave: Pessoa humana, ato, experiência humana, consciência, amor

Confiram a íntegra do TCC:A relacao entre a experiência humana e a consciência na questão antropológica de Karol Wojtyla

Elementos pré-textuais


[1] Excerto do TCC apresentado no dia 02 de dezembro de 2011 como requisito parcial para conclusão no Curso de Filosofia.

[2] Seminarista da Arquidiocese de Goiânia, no 1º ano de Teologia.

Publicado em Antropologia, Antropologia Filosófica, Filosofia, Metafísica, Opinião, Tomás de Aquino

A defesa da vida nos pressupostos da metafísica e da antropologia cristã

 

 

 

Hoje postamos a íntegra da Aula Inaugural proferida por Dom Adair José Guimarães, Bispo de Rubiataba-Mozarlândia, no auditório do Instituto na última sexta-feira, a título de abertura do ano acadêmico 2012. Antes da referida aula, o Sr. Bispo presidiu a Solene Eucaristia em ação de graças pelo período que se inicia, na qual se deu ainda a profissão de fé e compromisso de fidelidade dos novos professores.

Em seu discurso, intitulado “A defesa da vida nos pressupostos da metafísica e da antropologia cristã”, Dom Adair expôs a necessidade de se ter a filosofia cristã como paradigma de pensamento, especialmente em um Instituto Católico. A metafísica aristotélico-tomista é caminho seguro à verdade e caminho certo para se construir uma autêntica “cultura da vida”.

Dom Adair criticou duramente o relativismo cultural e teórico, que se distanciam da visão rica acerca do homem, própria da ontologia tomista, oriunda da compreensão objetiva de Deus. “A defesa da vida humana, bem como a defesa da vida do planeta precisam ter como fundamento a verdade (…) que é Deus”, afirmou com veemência.

Questões palpitantes, como as drogas, a compulsão sexual e a preservação do meio ambiente – do Cerrado, inclusive –, abordadas pelo Bispo, encontram na antropologia cristã, fundada na metafísica aristotélico-tomista, resposta segura.

 

Confiram a íntegra do texto: A defesa da vida nos pressupostos da metafísica e da antropologia cristã